quarta-feira, 8 de junho de 2011

Superproteger os filhos, desprotege para a vida ...

João Luís de Almeida Machado Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).


Pais Superprotetores: As consequências para a vida das crianças
Entrevista com o educador João Luís de Almeida Machado


1. Qual a importância da proteção dos pais no desenvolvimento da criança? Por que a criança não deve ficar totalmente "solta" no mundo?

JL - Há duas importantes situações a serem pensadas quanto ao assunto. A primeira refere-se ao fato de que a proteção, o acompanhamento ou o monitoramento da vida das crianças pelos pais tornou-se uma necessidade em virtude do crescimento estatisticamente comprovado dos casos de violência em nosso país (e em várias partes do mundo). Ações comuns das crianças de antigamente como, por exemplo, jogar bola, brincar de esconde-esconde, ir à casa de colegas que moram na vizinhança, entre outras, se tornaram menos regulares por conta do receio dos pais de que, no meio do caminho possa acontecer alguma coisa, uma agressão, uma violência sexual, um sequestro... Ocorre também que, por conta da violência e do medo dos pais de exporem seus filhos a situações de risco, surge no cenário das famílias a superproteção e, com isto, a criação de redomas ou bolhas onde estas crianças ou adolescentes acabam sendo colocados. Com isso são tolhidas oportunidades de vivenciar experiências que, até algum tempo atrás (20/30 anos) eram corriqueiras na vida destas pessoas.

a) No entanto, como identificar que os pais já ultrapassaram os limites da proteção saudável e adentraram a superproteção?

JL - A superproteção torna-se uma realidade quando não são oferecidas às crianças e adolescentes chances reais de aventurar-se no mundo por contra própria. Quero dizer com isso que, para tudo (e me refiro aqui a tudo mesmo) há sempre algum acompanhamento dos pais. Seja para ir à escola, ao clube, ao shopping ou mesmo em caso de férias e períodos mais prolongados de tempo, nos quais os pais, por insegurança total, impedem os filhos de fazerem programas nos quais eles (pais) não estejam incluídos. Como parte de uma vida saudável é preciso que em alguns momentos sejam concedidos aos filhos a chance de vivenciar estas experiências ou aventuras sem que o olhar e a presença dos pais por perto os intimidem ou mesmo os exponham a situações de ridicularização perante os colegas.

2. Quais os malefícios que a superproteção pode trazer para a criança e para o futuro adulto que ela irá se tornar (se possível, dê exemplos)?

JL - Perda de autonomia, medo de enfrentar situações diferenciadas daquelas do cotidiano (ainda que corriqueiras), dificuldade de relacionar-se com outras pessoas (principalmente estranhos, em situações cotidianas, como ir ao banco, comércio, serviços...), falta de iniciativa, reclusão, distanciamento da realidade, isolamento em mundos alternativos (como o virtual, em computadores e videogames)... É fato, por exemplo, que em países onde a alta tecnologia já se estabeleceu de forma quase onipresente, como o Japão, a existência de adolescentes que tem amigos no universo virtual e não conhecem e nem interagem com colegas de sala ou vizinhos. No Brasil, as crianças estão desaprendendo as brincadeiras de rua, tradicionais até algum tempo atrás, tendo dificuldades de estabelecer amizade com colegas que vivem na mesma rua e também se refugiando em computadores e games...

a) Verdade que a superproteção na infância pode resultar em adultos tiranos e despreparados para as frustrações? Por quê?

JL - Esta possibilidade é real, mas não é uma regra. A superproteção cria não apenas a insegurança em quem vive dentro desta realidade, mas pode gerar também a sensação de que para tudo o que acontecer em sua vida sempre haverá alguém para lhe dar suporte, proteção, auxílio e que, isto é necessariamente uma obrigatoriedade para as pessoas que vivem ao seu redor, ou seja, saciar seus desejos e obedecer suas ordens. Daí a constatação já apresentada na mídia de que muitas destas crianças e adolescentes são praticamente reis em suas casas... Esta situação pode reverter em adultos egocêntricos e tiranos...

b) Que atitudes (sintomas) da criança dentro de casa e na escola podem denotar que a criança está sofrendo os males de uma superproteção?

JL - Comportamento arredio, uso excessivo e sem controle pelos pais de computadores e videogames, indisposição para sair de casa, pouca ou nenhuma atividade externa como prática de esportes e jogos com amigos, reduzido grupo de interação social, dificuldade para comunicar-se e expressar sentimentos para os pais... Todas estas ações ou atitudes configuram sintomas. Não necessariamente ocorrendo ao mesmo tempo, mas a detecção de algumas destas ações em conjunto podem denotar que há excessos relacionados a superproteção.

3. Li em alguns artigos que o número de crianças superprotegidas ao longo dos anos tem aumentado. Em sua opinião, o que leva os pais a adotarem comportamentos superprotetores?

JL - Entre os principais fatores, sem qualquer sombra de dúvidas, o aumento da violência e a ênfase dada pelos meios de comunicação a fatos desta natureza. Casos como aquele da menina Isabela Nardoni ou do jovem que matou a namorada em Santo André depois de mantê-la em cativeiro tiveram grande destaque na mídia e bombardearam a cabeça de pais e filhos durante semanas. São exemplos de como a violência burlou os limites da civilidade e atingiu o que poderíamos chamar de selvageria e, a atuação da imprensa da mesma forma, demonstra como isto se tornou, de certa modo, um "espetáculo" (macabro, diga-se de passagem) em busca de mais audiência. Ação bastante irresponsável, por certo. Apresentar e disponibilizar, dando acesso a informação é responsabilidade da imprensa, agora, transformar estes fatos em "circo" para aumentar a visibilidade das emissoras, programas e jornalistas e, desta forma, lucrar com a desgraça alheia é deplorável...

4. Li que pais de idade mais avançada, adotivos ou que tiveram um filho único ou prematuro estão no grupo de risco dos possíveis pais superprotetores. Você concorda? Por quê? (Explique os motivos que poderiam levar a superproteção em cada caso)

JL - As famílias estão mudando de cara. E também de tamanho. É cada vez maior o número de pais que decidem ter apenas um filho. E aqueles que não podem ter filhos e adotam crianças também, por questões jurídicas ou financeiras, acabam optando por um filho apenas. Isto ocasiona certamente uma apreensão ainda maior quanto a segurança destes filhos únicos. E, como repercussão, aumenta a vigilância, ocasionando maiores possibilidades de ocorrência da superproteção. Isto é fato.

5. Alguns pais acabam caindo na superproteção porque ausentes (na maior parte do tempo em virtude da vida profissional) buscam compensar essa ausência dando tudo para a criança quando estão em casa. Essa conduta é correta? Por quê?

JL - Não se pode substituir a presença por benefícios materiais em hipótese alguma. Há natural demanda entre os seres humanos por carinho, presença, pelo contato físico, emocional, cultural... É certo que todos precisamos também de conforto e aparato material para sobreviver, mas estes recursos são meios ou suportes para uma vida saudável. Entretanto, sem o suporte emocional dado pela presença humana, nenhum bem, por mais valioso que seja, consegue dar a quem quer que seja, condições verdadeiras de se sentir bem, feliz, seguro... Se as pessoas trabalham, é preciso que em suas vidas reservem tempo para a família, ainda que reduzido pelas obrigações profissionais... E se o tempo é pouco, que seja vivido com qualidade, presença, carinho, apego...

a) Qual a importância dos limites na educação da criança? De que forma elas ajudam a criança a crescer e adquirir maturidade?

JL - Impor limites é de essencial importância porque nossas vidas - em todos os aspectos (emocional, físico, cultural, econômico, social, jurídico) - apresenta fronteiras que estipulam até onde podemos ir. Basta partir daquela que é premissa básica para a sobrevivência humana para entender o quanto isto é necessário, ou seja, a constatação de que nossos direitos terminam quando começam os dos demais seres humanos. Não podemos ultrapassar esta norma básica e, certamente, quando os pais dão liberdade excessiva criam uma realidade aos olhos de seus filhos que não é condizente com o mundo que as cerca... Até quando estes pais irão alimentar entre seus filhos a ilusão de que eles estão acima da lei, dos costumes, das outras pessoas que vivem no mundo?

6. Outros pais acabam adotando o comportamento superprotetor como uma forma de proteger a criança de decepções e perigos. Mas qual a importância dos erros e das frustrações para o aprendizado?

JL - Erros e frustrações também são constantes de nossas existências e, certamente, nos ajudam a melhorar nossa trajetória quando bem-trabalhados por nós. Temos que mostrar às crianças e adolescentes que ao errar inicia-se um novo ciclo em suas experiências que prevê a compreensão do erro, a busca de respostas que permitam superar esta situação, a busca do acerto e a consecução de novas tentativas...

a) Como os pais podem compensar essa ausência de casa de forma saudável?

JL - Tornando o tempo disponível para o convívio o melhor possível. Dedicando sua atenção às crianças e aos adolescentes em seus períodos de folga. Demonstrando preocupação e presença mesmo quando estão a distância, entrando em contato por telefone, e-mail, MSN... Compartilhando não apenas suas preocupações, mas procurando demonstrar segurança, dialogando o máximo que for possível, dividindo não apenas aquilo que materialmente consegue produzir, mas principalmente amando de forma profunda seus filhos...

7. O medo de perder o amor do filho atrelado à questão da ausência de casa é outro fator que pode levar a comportamentos superprotetores? Como os pais podem lidar com esse sentimento?

JL - Revendo prioridades, realizando um melhor agendamento de seus compromissos, dando espaço e importância para a família em suas vidas, valorizando a sua presença e entendendo-a como primordial para o crescimento sadio de seus filhos.

8. Li que o comportamento superprotetor tem por outro lado uma Cobrança excessiva de um bom desempenho e comportamento da criança por parte Dos pais. Por que isso ocorre?

JL - Ocorre pelo fato dos pais pensarem ser o bom comportamento e desempenho na escola e demais atividades das crianças como contrapartida demonstrada por seus filhos quanto ao amor que pensam existir na ação superprotetora... Seria uma espécie de retorno esperado pelo fato de, ao agirem de modo superprotetor, demonstrarem o quanto amam seus filhos. Se esquecem, com isto, que tudo o que os pais fazem deve prescindir da ideia de retorno, de contrapartida. O que os pais fazem, enquanto legítimo ato de amor, não deve demandar retorno como resposta dos filhos. Este retorno deve vir naturalmente, pois desta forma se comprova que o amor oferecido tem real sentido e valor para os filhos...

9. É possível quebrar essa redoma de proteção? De que forma? (Dê exemplos de comportamentos superprotetores que devem ser evitados pelos pais).

JL - Os pais devem proteger seus filhos mas, ao mesmo tempo, prepará-los para o mundo, pois certamente irão voar algum dia em busca de seu espaço neste planeta. Isto prevê - visando evitar a superproteção - que ocorram a presença, o diálogo, a sinceridade, a compreensão e explicitação do que existe no mundo tanto no que se refere aos riscos quanto às possibilidades. Precisamos alertar quanto às drogas, por exemplo, mas não podemos fazer disto um argumento para isolar nossos filhos e torná-los reclusos. Falemos do assunto, expliquemos o que significam as drogas, alertemos quanto aos riscos e possibilidades e procuremos acompanhar o andamento de suas vidas para evitar contratempos. Isto não significa, no entanto, que iremos tolher suas vidas e experiências. Eles também tem que caminhar sobre os seus próprios pés e, contando com o que lhes dermos de formação, demonstrarem por suas ações e iniciativas, que o que lhes legamos através da educação e presença que tivemos em suas vidas, foi suficiente para que fizessem as escolhas corretas para suas existências.

Ritalina, usos e abusos

Ritalina, usos e abusos Imprimir E-mail

ImageO remédio para hiperativos ganha adeptos entre executivos, estudantes e moças que querem emagrecer. Reportagem da Revista Veja.

Utilizado em larga escala nos Estados Unidos, o remédio Ritalina experimenta um aumento de consumo surpreendente no Brasil. O número de prescrições do medicamento, um estimulante para o tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, mais que dobrou nos últimos dois anos. Só neste ano, estima-se que será vendido 1 milhão de caixas de Ritalina, fabricado pelo laboratório Novartis. A principal razão desse aumento é o fato de que o diagnóstico do distúrbio se tornou mais comum. Antes considerado um mal predominantemente infantil, a hiperatividade passou a ser detectada também em muitos adultos. Além disso, há quem use o medicamento simplesmente para se manter desperto durante longas jornadas de trabalho ou estudo. E, como acontece com boa parte dos remédios da família das anfetaminas, a Ritalina entrou na ilegalidade. Jovens em busca de euforia química e meninas ávidas por emagrecer estão usando o remédio sem dispor de receita médica.

Caracterizada por quadros de agitação, impulsividade e dificuldade de concentração, a hiperatividade, nos últimos dez anos, ganhou maior atenção de médicos, psicólogos e pedagogos – principalmente porque se passou a creditar ao distúrbio boa parte dos casos de mau desempenho escolar. Dispor de um remédio como a Ritalina é um avanço inegável. Mas o "sossega leão" tem um lado perverso: o dos excessos. Pais acusam escolas de rotular suas crianças de hiperativas indiscriminadamente, antes mesmo de obter um diagnóstico médico. Tudo porque os professores, segundo esses pais, não teriam paciência, nem disposição, para controlar crianças irrequietas – mas não necessariamente com desequilíbrio na química cerebral – na sala de aula. Tais escolas, por sua vez, alegam que seus professores são suficientemente treinados para identificar o problema. Há que levar em conta, ainda, que pais impacientes andam utilizando o diagnóstico de hiperatividade como desculpa para entupir seus filhos de remédio e mantê-los, dessa forma, sossegados. Tanto é assim que o medicamento foi batizado de "droga da obediência". "É freqüente que os pais peçam aos médicos que aumentem a dose de Ritalina ou não a interrompam durante as férias", diz a psicóloga carioca Marise Corrêa Netto.

A hiperatividade infantil costuma aparecer entre os 3 e os 5 anos. O distúrbio é três vezes mais comum em meninos. Pesquisas feitas nos Estados Unidos mostraram que até um terço dos garotos em idade escolar naquele país usa Ritalina, embora muitos deles não precisem. Um estudo recente da Universidade Estadual de Campinas revelou que, de um grupo de crianças diagnosticadas com hiperatividade, 23% não exibiam problemas de aprendizado. Ou seja, provavelmente estavam sendo tratadas de um distúrbio do qual não sofriam. Vários educadores acreditam que se rotulam muitas crianças de hiperativas só porque elas são bagunceiras. "É preciso tomar muito cuidado com a medicalização da educação", diz a psicanalista carioca Christiane Vilhena, especialista em desenvolvimento infantil.

Enquanto a polêmica segue no universo infantil, a Ritalina vai conquistando de maneira silenciosa adeptos nas universidades. Pressionados por provas, exames e trabalhos de faculdade, estudantes estão trocando o tradicional café com cigarro pelo remédio. A Ritalina, nesses casos, teria o objetivo de melhorar a concentração e diminuir o cansaço. Seria uma espécie de anabolizante para o cérebro, que conseguiria assim acumular mais informação em menos tempo. Um levantamento feito na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, mostrou que um em cada cinco estudantes da instituição já havia experimentado a Ritalina com esse único propósito. No mercado de trabalho, ela também entrou para o cardápio: executivos passaram a procurar no medicamento uma forma de suportar batentes que costumam ultrapassar dez horas.

Um dos aspectos mais preocupantes do uso da Ritalina é o recreacional. Alguns adolescentes trituram as drágeas e cheiram o pó. Outros diluem o comprimido em água, para injetá-lo na veia. Essas injeções, no entanto, podem causar complicações sérias. Pequenos pedaços da pílula podem obstruir vasos sanguíneos e levar a distúrbios pulmonares e cardiovasculares graves. Por último, há garotas que lançam mão do remédio para emagrecer – um dos efeitos colaterais da Ritalina, descrito na bula.

A Ritalina, nome comercial do metilfenidato, foi lançada em 1956. O efeito paradoxal do remédio é que, embora seja um estimulante, em doses muito precisas ele acaba por acalmar seus usuários, ao torná-los mais concentrados – daí seu uso em crianças hiperativas. O mecanismo de ação da Ritalina ainda não foi completamente desvendado. Recentemente, com o auxílio de um exame de última geração, a tomografia por emissão de pósitrons, pesquisadores conseguiram identificar um aumento nos níveis de dopamina em homens saudáveis que tomavam o remédio. A dopamina é uma substância produzida no cérebro, associada à sensação de bem-estar, euforia e estado de alerta.

Como funciona a ritalinaA Ritalina é um remédio da família das anfetaminas. Age no sistema nervoso central potencializando a ação das substâncias cerebrais noradrenalina e dopamina, o que melhora a concentração.

A dose inicial para pacientes a partir dos 6 anos de idade varia entre 2,5 e 5 miligramas por dia, podendo chegar a 60 miligramas diários.As doses, em geral, são dadas pela manha e hora do almoço, para não prejudicar o sono.Seu efeito, dura em média, 4 horas. Por isso, entre as crianças, o remédio costuma ser dado antes de elas irem para a escola. Em alguns casos, é suspenso nos finais de semana e nas férias.As versões mais modernas do medicamento são de longa duração. Podem durar até 12 horas.

Fonte: revista Veja

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Fobia Escolar

Dra. Ana Beatriz Silva e Dra. Cecília Gross
Fobia escolar é um medo exacerbado que a criança sente em ir para a escola. Ela se revela primeiramente com a recusa da criança em se deslocar para o ambiente escolar, inventando desculpas, o que culmina por evitá-lo. Como a própria criança ainda não sabe que está com medo, geralmente, o quadro se manifesta com mal-estar, podendo apresentar vômitos, dor de cabeça, dor de estômago, náuseas e tonturas na sala de aula. Muitas vezes, esses sintomas podem iniciar antes mesmo da criança sair de casa.

Na escola, é muito comum que ela se afaste dos coleguinhas, já que se sente muito mal lá dentro. É importante observar que, se estes sintomas se manifestam apenas um dia ou outro pode, de fato, tratar-se de um mal físico. No caso de crianças que vomitam ao despertarem, ficam pálidas ou sentem suor frio, podemos pensar na possibilidade de outros problemas, que não tem nada a ver com a fobia escolar, muito embora os sintomas físicos sejam muito parecidos. Por isso, é sempre bom investigar!

Na fobia escolar, a criança foca o assunto da escola sempre com medo, negativismo e pode chorar para não ir. Fobia escolar é um transtorno de ansiedade e tem tratamento.

É essencial que a equipe da escola saiba o que está acontecendo, pois, muitas vezes, uma figura de confiança do aluno deve acompanhá-lo e permanecer por um determinado período no ambiente escolar, até que ele desenvolva autoconfiança. Os próprios coordenadores podem, por vezes, desempenhar este papel, ao ficarem mais próximos deste aluno, encorajando-o a ponto de se sentir bem na sala de aula.

A fobia escolar cursa também com o que chamamos de ansiedade de separação (outro transtorno que também acomete crianças), que se configura no medo de se separar dos pais ou pessoas de importante vínculo, em preocupações constantes de que algo de ruim possa lhes acontecer ou até mesmo no medo de perdê-los. Via de regra, crianças que apresentam também ansiedade de separação, além do medo de irem para a escola, têm dificuldades em dormir sozinhas, medo de ir para casa de amigos, entre outras relutâncias em se distanciar das pessoas com as quais passa a maior parte do tempo.

Assim, uma maneira da criança ficar menos insegura em se separar dos pais, é oferecer o máximo de sinceridade possível a ela, ou seja, desejar e demonstrar, de fato, que estão felizes ao seu lado, enquanto há tempo disponível para isso. Duplas mensagens por parte dos pais fazem com que a criança fique insegura, já que ela perde a referência com quem e com o que exatamente pode contar. É essa insegurança que a deixa mais “grudenta” e chorosa, pois ela passa a ter um sentimento de que pode ser abandonada a qualquer instante, o que traz grande sofrimento.

No momento de ir para escola os pais devem ser firmes, mas respeitar a limitação de seus filhos, pois para eles já é muito difícil estar com estes transtornos.

Crianças com fracassos escolares ou com transtorno de aprendizado, mas que são disciplinadas, podem também desenvolver fobia escolar, pois não querem expor os seus insucessos (aliás, como a maioria dos seres humanos). Nestes casos, vale a pena investigar a causa do fracasso escolar, por meio de profissionais especializados na área.

Causas da fobia escolar

Os motivos que levam a criança a desenvolver fobia escolar podem ser vários ou uma associação deles. Dentre eles estão a predisposição biológica (genética), o temperamento e a vulnerabilidade à ação do ambiente familiar, o qual pode ser estressante ou até mesmo os próprios pais demonstrarem preocupação excessiva com a separação dos seus filhos. É interessante salientar que duas ou mais crianças que recebem a mesma educação, tanto escolar quanto familiar, (filhas dos mesmos pais), não significa necessariamente que todas irão desenvolver fobia escolar.

Uma das formas de tratamento para este transtorno é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), cuja abordagem ajudará a criança pensar e agir de forma diferente, por meio de técnicas específicas aplicadas para as dificuldades de cada uma. Caso a fobia seja muito grave, vale a pena consultar um psiquiatra, pois poderá fazer uma avaliação do quadro clínico e, se for necessário, prescrever medicações adequadas. Este profissional também poderá descartar todas as possibilidades de outras doenças estarem causando tanta ansiedade.

É fundamental que os pais fiquem atentos quanto à procura de profissionais especializados, já que a demora no tratamento pode ocasionar afastamento da escola, fracasso e repetência escolar, vergonha de enfrentar novamente os coleguinhas, entre outros fatores. Todos eles são indutores da baixa auto-estima da criança, que poderá lhe trazer prejuízos para o resto de sua vida. Além disso, é muito comum que a fobia escolar esteja associada a outros medos como, por exemplo, de elevador, animais, escuro, etc. Enfim, os danos são grandes quando se adia o tratamento.

Papais e mamães, a culpa não é de ninguém quando a criança apresenta fobia escolar. Os pais, na maioria das vezes, estão dispostos a acertar na educação dos seus filhos, mas se começarem a se culpar, provavelmente errarão muito mais. Pais culpados não colaboram em nada na melhora dos seus próprios filhos! Contudo, existem responsabilidades que sempre são de quem cuida e isso implica em identificar o problema, buscar tratamento, seguir as orientações no sentido de trazer alívio à criança que está sofrendo. Procurar ajuda, ouvir as diretrizes dos profissionais envolvidos e poder dividir as dificuldades que possam encontrar no tratamento de seu filho, contribuirá efetivamente na maravilhosa tarefa de ser pai e mãe.
Fonte: Psicologi Virtual

Fonte: psicologia Virtual

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Crianças imaturas

MAS EU QUERO!

Isabel Cristina Hierro Parolin

Tenho presenciado cenas e vivido situações, principalmente com crianças na faixa etária entre 5 e 9 anos, que acreditam que basta elas não quererem para que devam ser atendidas. Tem-se a impressão de que a criança aprendeu que a simples formulação dessa frase, "mas eu quero..." estabelece o motivo e a obrigatoriedade de serem atendidas, incondicionalmente, em seu desejo.
Ouço depoimentos de professores relatando histórias de alunos que se negam a fazer lições de casa ou a estudar determinado tema, ou a participar de um trabalho coletivo e, como justificativa, estas crianças dizem que não querem, que é chato. Quando os professores insistem, dando um limite claro que é importante e necessário fazer determinada atividade escolar elas replicam, revestidas de autoridade que não querem fazer e que não vão fazer!
E agora? Como proceder? Estas crianças acreditam que só devem fazer o que lhes dá prazer. O que elas aceitem. Não aceitam submeter-se a um processo mais trabalhoso e mais elaborado. Não aceitam os procedimentos acadêmicos necessários à aprendizagem. Não querem, como se diz em linguagem popular, suar a camisa... Se estes professores recorrem aos pais, eles replicam "Você viu só? Ela só faz o que ela quer..." ou ainda, "Ele é fogo...Não obedece mesmo!"
Um pai contou-me que seu filho negava-se a escovar os dentes e que não havia jeito de o fazê-lo. Perguntou-me se ele deveria deixar e esperar que ele amadurecesse e entendesse a necessidade, desta higiene ou se ele deveria insistir. E os dentes esperam uma pessoa amadurecer para escova-los? Parece-me que não!
Ainda conheço um jovem que se nega a ir para a primeira aula, pois acha muito cedo. Conheço outro menino que não aceita fazer exercícios, ele acha que, basta ouvir o professor explicar. Sei de crianças que se negam a colocar o uniforme da escola por acha-lo feio. Sei de uma menina que não aceita a norma de não comer durante as aulas. Sei de pais que não conseguem que seu filho tome o remédio por ser ruim. Algumas crianças e jovens não vão à recuperação, outros não querem fazer terapia...E assim vai...
O insólito dos relatos não é os fatos em si, pois se pensarmos bem escovar os dentes é um expediente trabalhoso, assim como fazer exercícios de matemática. Levantar cedo é chato mesmo, mas faz parte do viver em nossa sociedade. Talvez o uniforme a que o aluno se refere não seja o mais bonito, mas é o uniforme da escola que ele escolheu e freqüenta. Os horários e os procedimentos escolares são contratados na matrícula. Logo, por que estes pais não conseguem que seus filhos procedam de acordo com o contrato, as necessidades, costumes ou regras?
Muitos pais acreditam que por não estarem dando a atenção que gostariam de dar para seus filhos não têm o direito de lhes exigir responsabilidade."Ela ainda é uma criança...", pensam. Outra situação relacionada ao fato da culpa por não estar mais perto de seus filhos é o hábito de dar coisas para compensar a ausência, como se este procedimento os redimisse e os tornasse bons pais e merecedores do amor e admiração de seus filhos. Acabam construindo um circuito de prazer em que a frustração deve ser evitada a todo o custo. Quem não se propõe a trabalhar suas dificuldades, a viver situações de estresse e de frustração e a entender a dinâmica social não poderá inserir-se adequadamente neste contexto. Vale dizer que ao poupar uma criança do trabalho de crescer a condenamos a ser eternamente crianças, imaturas e despreparadas para o convívio e para o exercício da cidadania.
Por outro lado, as crianças não querem apenas as coisas que pedem ou que negam fazer. Na grande maioria das vezes elas não sabem, exatamente, o que estão querendo e quais seriam as repercussões de seus atos. Elas buscam algo muito mais importante e necessário para elas que é a emoção e a atenção de seus pais. Este movimento acaba criando um circuito vicioso em que quanto mais a criança quer, mais ela ganha e mais ela quer. O relacionamento acaba se substanciando no estresse da relação e na ausência de regras de boa convivência. Os pais ficam exaustos e os filhos insaciáveis.
Os porquês e as regras são fundamentais para que a criança entre no universo da razão. É esperado que uma criança só queira viver coisas que lhe dêem prazer, no entanto, é fundamental que seus pais e professores lhe mostrem que o esforço faz parte das conquistas. Ninguém morre por não ser atendido em um desejo, mas pode perder muito por não conseguir compreender que seus pais têm dificuldades, trabalham, se esforçam. A relação de autoridade, que inicia na relação com os pais, possibilita à criança uma convivência politizada e instrumentalizada para esses novos tempos.
Inicialmente uma criança obedece por respeitar a pessoa que impõe a regra, depois com a repetição e o entendimento de sua lógica a criança compreende e aceita a regra e esta é reelaborada e passa a ter um sentido social, além de uma lógica pessoal. Para que isto ocorra são necessários muitos 'nãos" e seus devidos "porquês", além de uma boa dose de paciência, de escuta e de atenção. Mais tarde, quando a criança for maior ela respeitará quem lhe ensinou a viver adequadamente dentro das normas sociais a que todos somos expostos.
Crescer é transpor limites. Quando os pais não dão limites para seus filhos acabam limitando-os em sua condição infantil e impossibilitam o transcender da maturidade
Muitos pais confundem atender incondicionalmente uma criança com educá-la amorosamente. É muito importante a criança sentir-se compreendida em seus desejos e desprazeres, saber que está sendo ouvida e que tem com quem contar. Acolher o sentimento é um procedimento esperado, adequado e muito importante à formação de uma pessoa. Dar limites para a ação é um procedimento educativo fundamental para a adequação emocional e social.
Estava em uma festinha quando uma criança procurou, chorando a sua mãe e explicou que um amiguinho tinha lhe batido. A mãe teve uma reação fundamental para a educação e equilíbrio emocional de seu filho. Abraçou-o e ouviu o relato choroso da criança. Após o desabafo a mãe comentou, 'puxa, que chato...isto dói mesmo...você deve estar sentindo muita raiva dele..." A criança sentindo-se acolhida, prosseguiu: "Eu quero que você bate nele, para ele não bater mais em mim..." A mãe explicou para ele que um erro não justificava outro. Explicou para o seu filho que um menino que não sabe respeitar seus amigos, fica sem companhia e que o ganho dele era ser considerado legal e que, quem sabe respeitar, sempre tem amigos. O menino contentou-se, sentiu-se valorizado e importante e voltou a brincar. A ação deve ser educada e o desejo deve ser compreendido, nos ensina Yves de La Taille.
Nós, pais e educadores devemos estar sempre atentos ao que permitimos "apenas hoje" ou ainda, "só nesta situação", pois a cada ação, nossas crianças constroem seus valores, seus códigos de conduta e seus princípios.
Pais e professores de uma criança devem se fazer presentes em suas vidas promovendo vivências fundamentadas nas virtudes, só desta forma nossas crianças poderão superar-se e superar-nos na milenar arte de viver e conviver!

Publicado em 18/10/2001

Isabel Cristina Hierro Parolin - Pedagoga pela PUC-PR, Especialista em Psicodrama e Psicopedagogia e Mestre em Psicologia da Educação pela PUC-SP. Atende crianças e jovens em seu processo de aprender ou de não-aprender, assim como a suas famílias, objetivando ações educativas. Consultora institucional, em todo o Brasil, de escolas públicas e privadas. Professora em cursos de pós-graduação em psicopedagogia e áreas correlatas. Pesquisadora do grupo “Aprendizagem e Conhecimento na ação educativa” da PUCPR. Palestrante para pais e professores. Conselheira da Associação Brasileira de Psicopedagogia PR-SUL. Participou de eventos educacionais no Japão, Áustria, Bulgária, Alemanha e Espanha. Autora de vários livros e artigos em revistas, jornais e sites relacionados à aprendizagem e à educação.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Alienação, emburrecimento ? Como estão os novos formandos ?

Com a atual educação pública, o dito de que "nascemos simples e ignorantes" será complementado com "nascemos simples e ignorantes, e assim permaneceremos", pois a palavra ignorante é derivada do grego gno, que é aplicada a ideia do saber, e o prefixo i é uma negação dessa ideia.

Com a atual educação pública, não é trabalhado o saber a seus alunos – saber esse que deveria levá-los a um protagonismo e criticidade. Essa educação trabalha mais a alienação e o "emburrecimento". Isso porque ela se esbarra na burocracia, na corrupção, na falta de ética de muitos políticos, na perda da dignidade do educador, na baixa autoestima, na omissão da família, no descaso da sociedade, no excesso de violência e na não “reprovação”, entendida de maneira equivocada pelos pseudos-educadores.

Ela deveria ser como uma bússola, e esta deveria sempre ter como norte a cidadania, o protagonismo, a criticidade, o humanismo, a socialização e a equidade, mas essa bússola lembra um pouco a do Capitão Jack Sparrow (interpretado pelo ator Johnny Depp no filme Piratas do Caribe). Os personagens que fazem parte das aventuras desse capitão veem a bússola como um objeto e até mesmo uma ferramenta sem relevância, simplesmente por estar quebrada, mas eles não percebem que essa bússola é diferente das outras, ela aponta sempre para o que você mais quer no mundo. E, se tratando da educação, o que os políticos mais querem em nosso País é estatística; são números altos demonstrando que a escolaridade dos estudantes tem se elevado e trazendo, com essa hipocrisia, alguns analfabetos e um alto índice de analfabetismo funcional com diplomas de 1º e 2º graus, e um déficit em letramento além da capacidade para se reso lver problemas cotidianos, implicando consequentemente em futuros maus profissionais.

Esses formandos e/ou recém-formados servirão para aumentar ainda mais essa massa de manobra, tratados como gado marcado e destinados a uma medíocre existência devido a uma manipulação desse nosso sistema falho, corrupto e corruptor, que violenta a dignidade dos poucos que resolvem deixar cair a máscara da alienação, a ponto de não iludir-se pela cortina de fumaça com resultados manipuláveis e equivocados.

Será que ainda poderemos chamar nossos discentes de educandos ou apenas de estudantes? Estudantes por estarem em uma sala de aula, sendo simplesmente adestrados nos princípios mais básicos da educação, pois o ato de educar engloba mudança de comportamento, implica em um devir e em uma criticidade e em uma cognição, o que vem a reforçar o sujeito como ser cognoscente.

Por sorte, temos ainda bons profissionais da educação. Apesar de serem a minoria, eles continuam lutando e não sonhando, pois a grande maioria vive de sonhos e isso diferencia o bom do medíocre, visto que os bons lutam, são proativos e protagonistas de uma educação que faz a diferença, elevando assim a dignidade do povo brasileiro e sendo o diferencial nesse nosso sistema, apesar de a estatística colocar todos os educadores em um mesmo saco e generalizar a incompetência e a falta de profissionalismo como se fosse um problema de todos os profissionais.

Com todos esses reveses, os bons educadores são como estrelas em um universo frio e escuro de indiferenças.
(Texto do professor Wolmer Ricardo Tavares, docente e coordenador de extensão da UNIPAC)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A Psicopedagogia e a Familia

A PSICOPEDAGOGIA E A FAMÍLIA

Isa Spanghero Stoeber, Zuleica P. De Felice

Ambas coordenam a seção de Psicopedagogia da Revista Viver, onde escrevem ou entrevistam profissionais, procurando criar um espaço de reflexão sobre essas áreas tão fundamentais de estudo, pesquisa e atuação. Nesta entrevista, elas discorrem sobre sua prática e os pontos de interligação entre as áreas profissionais, que permitem um trabalho de ótima parceria, com benefício para os indivíduos, as instituições e os profissionais

É possível desenvolver um trabalho psicopedagógico que inclua também a família?

Fazer um trabalho psicopedagógico interligado a uma terapia com a família amplia sobremaneira as possibilidades de investimento nos recursos pessoais e familiares dos pacientes que nos chegam ao consultório. Não nos podemos esquecer de que os relacionamentos humanos possuem múltiplas facetas, pois cada um de nós desempenha na vida uma enorme variedade de papéis, muitos dos quais justamente com alicerces na dinâmica família/indivíduo: papel de pai, de mãe, de filho, filha, de avô, avó, de irmão, irmã, para apenas citarmos os referentes à família nuclear. O sucesso ou insucesso dos outros inumeráveis papéis que teremos de exercer ao longo de nossa história dependerão, em grande parte, do sucesso ou insucesso de nossas relações dentro do sistema familiar. Poder investir neste sistema é, então, poder desenvolver meios eficazes de atuação em vários outros sistemas, entre eles a escola. É neste ponto de confluência que surge a riqueza de um trabalho psicopedagógico em parceria com um trabalho de terapia de família. Temos percebido, em nossa prática, que as queixas, sejam elas quais forem - dificuldade de atenção e concentração, no processo de aquisição da leitura e da escrita, no processo matemático, na organização, no tempo e espaço, nos relacionamentos, etc - sempre implicam a inclusão das instituições e, principalmente, a da família: o indivíduo nunca está sozinho no espaço terapêutico, pois traz com ele próprio todas essas relações.

Como é o trabalho de um terapeuta familiar sistêmico?

Quando uma família nos procura, o que ela pede é que a ajudemos a ver em que ponto de sua história ela ficou paralisada, que nó impede seu perfeito funcionamento, ou qual padrão de ligação não satisfaz. Salvador Minuchin, um dos grandes terapeutas familiares da atualidade, afirma que as famílias constroem histórias sobre suas vidas, e depois, com o passar dos tempos, elas se tornam as próprias histórias que contam. Por isto, a maneira como se organiza uma família está intimamente relacionada à visão que ela tem de si mesma. Com o passar do tempo, essa visão acaba por ajudar a construir os mitos familiares que, por sua vez, reforçam a visão que a família tem de si, e assim, sucessivamente. Muitas vezes, quando a família traz os seus problemas ao consultório, o que ela traz realmente são as definições que criou para si própria, e que acabam por funcionar como carcereiras: tentar escapar delas é como apalpar a morte, pois não se pode imaginar a vida de outra maneira. Numa dinâmica familiar, os vínculos emocionais que atam uns aos outros têm a densidade de um fio de aço: possibilitar movê-los, flexibilizá-los ou desatá-los é convidar os membros de um sistema familiar a percorrer um caminho cheio de perigos, mas com possibilidades imensas de novas descobertas. Nesse sistema, tudo aparece em forma de interações: não há o indivíduo sozinho, mas o indivíduo em interação com...Assim, uma mulher, enquanto esposa de um homem autoritário, pode funcionar como submissa, enquanto ela mesma é uma déspota na relação com os filhos. Estes, por sua vez, com cada um de seus irmãos podem agir de uma maneira: dóceis com alguns, blefadores com outros, dominadores com um mais novo, e assim por diante... Na terapia de família de linha sistêmica o terapeuta também faz parte do processo. Ele, ao experienciar as formas de atuação da família, por sua vez, revê suas próprias formas de atuação: ao filiar-se ao sistema familiar, possibilita que os membros daquele sistema também se filiem a ele. E é por meio da conquista da confiança na figura do terapeuta que se tornam plausíveis as mudanças necessárias.

Como deve ser vista a prática psicopedagógica, e em que sentido ela se articula com a terapia de família de linha sistêmica?

A prática psicopedagógica deve ter um olhar voltado para a saúde, para o desenvolvimento do potencial do sujeito como construtor do conhecimento, e, para tal, deve auxiliá-lo a sair do espaço e do tempo em que está, ressignificando sua aprendizagem. Deve também olhar as dificuldades -sejam cognitivas ou afetivas - como oportunidades de crescimento, pois todo indivíduo aprende além dos aspectos educacionais ou pedagógicos. Ela pode ter como suporte teórico os saberes das outras ciências, construindo-se e articulando-se em diferentes níveis, e, neste aspecto, articula-se muito bem com a terapia familiar sistêmica. Lembrando a fala de Lino de Macedo: "Qualquer pessoa pode beneficiar-se da psicopedagogia, pois ela é também uma prestadora de serviços. Como o conhecimento não tem fronteiras e nem proprietários, ela aceita o sujeito do conhecimento tal como ele se apresenta.."

Qual a função do psicopedagogo no processo ensino-aprendizagem e como pode ajudar a lidar com o fracasso escolar?

O processo de aprendizagem está intimamente ligado ao processo de estar no mundo, com suas dificuldades, obstáculos e "confusões vivenciais". Ora, se cada situação é um processo de aprendizado e compreensão, podemos encarar os obstáculos no percurso da vida - tais como, por exemplo, uma situação de fracasso escolar - como favorecedores de crescimento. Parece, no entanto, que a maior preocupação que se tem com respeito a situações consideradas "de fracasso escolar" é com relação ao futuro: seriam elas prenúncio de um fracasso na vida profissional, por exemplo? É importante lembrar que o fracasso escolar deve ser visto como sintoma de alguma outra dificuldade, que, por sua vez, solicita reflexão e mudança. Ligado objetivamente à reprovação escolar, ao indivíduo que não consegue aprender dentro de determinadas estruturas, o fracasso escolar, no entanto, pode ser visto inclusive como um rótulo que camufla as dificuldades de um sistema escolar. O campo de atuação onde ocorre pode ser determinante: reavaliar esse campo e os padrões por ele fixados é de vital importância para a compreensão de situações de dificuldade. Olhar um indivíduo com dificuldades escolares como se fosse um tonel que se esvazia, que não tem memória e não registra nada é, no mínimo, uma postura reducionista, que não permite encará-lo como sujeito de sua própria história. Por isto, o psicopedagogo deve trabalhar em conjunto com a família, a escola e outros profissionais ou instituições envolvidas, para poder chegar a um consenso a respeito dos problemas e das possibilidades de soluções. São questões como essas que merecem a atenção do psicopedagogo, e podem transformá-lo num mediador entre o aluno, a escola e a família, tanto instrumentalizando esse aluno para sua inclusão no sistema de ensino, como instrumentalizando as instituições no sentido de relativizar as expectativas.

Isa Spanghero Stoeber, Zuleica P. De Felice - Isa - orientadora educacional e terapeuta de família. Zuleica - psicopedagoga clínica e institucional.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Transtorno de conduta

TRANSTORNO DE CONDUTA
Fabiane Cristina Favarelli Navega

Sumário

Transtorno de conduta: uma orientação a educadores

Objetivou-se no presente trabalho informar e orientar os profissionais ligados a educação sobre as principais características, evolução, diagnóstico e tratamento do transtorno de conduta, desde a infância até a fase adulta. Pretendeu-se também esclarecer as principais diferenças entre a indisciplina e o transtorno apontado, bem como ressaltar a importância de um diagnóstico precoce e as possíveis intervenções medicamentosas, terapêuticas, familiares e escolares.

Palavras-Chave: Transtorno de conduta; caracterização da doença; diagnóstico; curso e prognóstico; tratamento.

Aimed to this present job to inform and to manage the professionals connected with the education about the main features, evolution, diagnosis and treatment of conduct disorder, since the childhood until adulthood. It was intended also to explain the main differences between the indiscipline and the conduct emphasized, as well as highlight the importance of an early diagnosis and the possible drug interventions, therapeutic, family and school.

Keywords: < conduct disorder; characterization of disease; diagnosis; course and prognosis; treatment >


INTRODUÇÃO
Com base nos relatos de educadores e familiares sobre atitudes inadequadas ou consideradas inaceitáveis para crianças e adolescentes, o artigo levantará algumas considerações importantes sobre o Transtorno de Conduta, desde a infância até a fase adulta. Todavia, serão apontadas os principais aspectos tais como: caracterização do transtorno, diagnóstico, curso e prognóstico, fatores associados ao comportamento, avaliação e tratamento, critérios avaliativos, prevalência e intervenções.
O objetivo do presente trabalho é transmitir algumas informações relevantes aos profissionais ligados à área da educação, com o intuito de informar e diferenciar a indisciplina de um Transtorno de Conduta, tendo em vista os inúmeros casos de violência física e moral que emergem hoje nas salas de aula, nas famílias e na sociedade.
O artigo busca dar subsídios aos educadores, orientando o seu trabalho educacional e visando o bem estar da criança.
Acredito que o esclarecimento de tal transtorno seja válido, pois nota-se que atualmente o número de violência, homicídios e uso de drogas aumenta avassaladoramente, sendo assim, através da informação tentar precocemente amenizar as más condutas.

1.CARACTERIZAÇÃO DO TRANSTORNO
Alguns comportamentos apresentados durante a infância podem ser observados no desenvolvimento normal de uma criança, tais como: mentir e matar aula, mas segundo Bordin (2.000, p.01), “Para diferenciar normalidade de psicopatologia, é importante verificar se esses comportamentos ocorrem esporadicamente e de modo isolado ou se constituem síndromes”.

Para que o indivíduo possa se enquadrar no diagnóstico de Transtorno de Conduta deverá ter apresentado nos últimos 12 meses comportamentos que incomodem ou perturbem o próximo, se envolver em atividades perigosas e ilegais, a maioria dos envolvidos não apresentam sofrimento ou constrangimento pelas suas atitudes, bem como não se importam em ferir ou maltratar animais e pessoas moralmente ou fisicamente.

Mondoni (2.006, p.01) ressalta também que, “Comportamentos que transgridem a lei constituem a elinqüência”. Todavia, o que se observa é que este distúrbio do comportamento é mais frequente na infância e adolescência e a primeira causa de encaminhamento ao psiquiatra infantil.

Com base em critérios diagnósticos internacionais (DSM-IV), na infância e na adolescência tais comportamentos fazem parte das categorias Transtorno Desafiador de Oposição (TDO) e Transtorno de Conduta (TC), já na fase adulta, a partir dos 18 anos, se enquadram no Transtorno de Personalidade Antissocial (TPAS).

2.DIAGNÓSTICO
Segundo o DSM-IV (1.995) O Transtorno de Conduta implica um padrão repetitivo e persistente de comportamentos no qual são violados os direitos dos outros e regras sociais.
Para que o diagnóstico seja fidedigno, faz-se imprescindível a presença de pelo menos, três das condutas abaixo apontada, e persistente por um período de 12 meses.

•Frequentemente persegue, atormenta, ameaça ou intimida os outros.
•Frequentemente inicia lutas corporais.
•Já usou armas que podem causar ferimentos graves.
•Foi cruel com pessoas, ferindo-as fisicamente.
•Foi cruel com animais.
•Roubou ou assaltou confrontando a vítima.
•Submeteu alguém a atividade sexual forçada.
•Iniciou incêndio com a intenção de provocar sérios danos.
•Destruiu propriedade alheia.
•Arrombou ou invadiu, casas, prédios ou carros.
•Mente ou engana para obter ganhos materiais, favores ou para fugir de obrigações.
•Furtou objetos de valor.
•Frequentemente passa a noite fora, apesar da proibição dos pais.
•Fugiu de casa pelo menos duas vezes, passando a noite fora, enquanto morava com os pais ou substitutos.
•Falta da escola sem motivo, matando aula frequentemente.
Fonte: http://www.psicologia.com.pt/instrumentos/dsm_cid.php

O DSM-IV subdivide o Transtorno de Conduta em dois subtipos: surgimento antes dos 10 anos de idade e após os 10 anos. Tais comportamentos, quando persistentes até a fase adulta (após 18 anos), se caracterizam por Transtorno de Personalidade Antissocial.
O CID-10 aponta que os transtornos de conduta são caracterizados por padrões persistentes de conduta dissocial, agressiva ou desafiante. Tal comportamento deve comportar grandes violações das expectativas sociais próprias à idade da criança; deve haver mais do que as travessuras infantis ou a rebeldia do adolescente e se trata de um padrão duradouro de comportamento (seis meses ou mais) (CID-10, 1993)

O diagnóstico se baseia na presença de condutas do seguinte tipo:

•manifestações excessivas de agressividade e de tirania;
•crueldade com relação a outras pessoas ou a animais;
•destruição dos bens de outrem;
•condutas incendiárias;
•roubos;
•mentiras repetidas;
•cabular aulas e fugir de casa;
•crises de birra e de desobediência anormalmente freqüentes e graves.
Fonte: CID-10, 1993.

A referida norma citada anteriormente, também subdivide o Transtorno de conduta em: socializados e não socializados. Transtorno de conduta não socializado é caracterizado pela presença de um comportamento dissocial ou agressivo persistente associado a uma alteração significativa e global das relações com as outras crianças.
Já os diagnosticados com o transtorno socializado apresentam comportamento dissocial ou agressivo manifestando-se em indivíduos habitualmente bem integrados com seus companheiros.
Segundo Silva (2.002 apud DSM-IV-TR, 2.008, p.207) o diagnóstico dado pelo especialista deve especificar a gravidade do transtorno em leve, moderado e grave.
Baseado nos critérios do CID-10 (1.992/1.993) os indivíduos com Transtorno de Oposição e Desafio e Transtorno de Conduta devem apresentar comportamentos pouco empáticos ou pouco preocupados com os sentimentos, desejos e bem-estar dos outros. Podem não apresentar sentimentos de culpa e remorso, que aprendem a simular para evitar punições. A autoestima é baixa e há reduzida tolerância à frustração, ocorrem acessos de raiva, irritabilidade imprudência, ocasionando um número alto de acidentes.

3.CURSO E PROGNÓSTICO
Evidências empíricas sugerem que as primeiras manifestações do comportamento antissocial podem aparecer precocemente, aproximadamente aos 18 meses, onde a criança já apresenta comportamentos como agredir os pais e destruir objetos.
Como visto anteriormente os sintomas do Transtorno de Conduta podem surgir desde a infância e persistir até a fase adulta. Na maior parte dos casos, quando o Transtorno de Conduta surge antes dos 10 anos de idade, é muito comum a presença do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). De acordo com Bordin (2.000, p.03) pode observar-se também “A presença de comportamento agressivo, déficit intelectual, convulsões e comprometimento do sistema nervoso central”.
De acordo com Bordin, o aparecimento do TDAH nos diagnóstico de Transtorno de Conduta pode chegar a 43% dos casos, envolvendo principalmente os meninos, já no sexo feminino é mais comum o aparecimento do quadro de ansiedade e depressão (33% dos casos).
Conforme Mondoni (2.006, p.05) “A prevalência do Transtorno de Conduta varia de acordo com muitos estudos, ficando entre 5 a 10%, sendo 2 a 3 vezes mais comuns em meninos”.
Pacheco et. al.(2.005, p.04) aborda que “Crianças que recebem o diagnóstico de Transtorno Desafiador de Oposição na infância, tendem a apresentar um risco aumentado para desenvolver posteriormente Transtorno de Conduta na adolescência”.
A maior parte das crianças diagnosticadas por Transtorno de Conduta ou Transtorno Desafiador de Oposição tendem a apresentar dificuldades de aprendizagem e fracasso escolar.
O que se observa é que comportamentos antissociais apresentados logo na infância, quando não tratados adequadamente, podem ser protótipos de comportamentos delinquentes para a fase adulta, discórdia conjugal, problemas de relacionamento social, uso de drogas e álcool.
Alguns fatores podem estar associados ao comportamento antissocial da criança. O que se observou em alguns estudos em clínicas psiquiátricas, foi que o ambiente familiar e social desajustado poderiam ser fatores de desencadeamento dos Transtornos.
Conforme aponta Bordin (2.000, p.04) alguns fatores seriam “Receber cuidados maternos inadequados, viver em meio à discórdia conjugal, pais agressivos e violentos, mães com problemas de saúde mental e viver em áreas urbanas”. Ainda esta autora nos afirma que há uma taxa maior de criminalidade nos pais biológicos do que nos pais adotivos, formulando a hipótese de uma predisposição biológica para o comportamento anitssocial.
De acordo com Morana (2.006, p.03) sobre o entendimento desses pacientes “É fundamental se considerar o ambiente em que vive o indivíduo e a interação com ele estabelecida”. Ressalta ainda a autora que a negligência e os maus-tratos recebidos por uma criança em que o cérebro está sendo esculpido pela experiência, induz a uma anomalia da circuitaria cerebral, podendo conduzir à agressividade, hiperatividade, distúrbio da atenção, delinquência e abuso de drogas. (Morana, 2.006)

4.AVALIAÇÃO
Segundo Barbieri (2.004, p.02) a avaliação da criança será feita a partir de “Assinalamentos e interpretações desde a primeira entrevista com o paciente e envolvidos com o mesmo, e durante a aplicação de técnicas projetivas”.

Para Morana (2.006, p.04) “A avaliação diagnóstica enfrenta polêmica, pois há uma divergência entre valorização das entrevistas livres ou aplicação de testes padronizados.” Com tudo, há profissionais que se utilizam de entrevistas e outros que se apóiam em testes psicológicos.

De qualquer maneira, independente dos procedimentos utilizados para se fazer o psicodiagnóstico, faz-se importante investigar toda a história de vida do examinado, verificando se há ou não padrão anormal de conduta, tomando como base os critérios estabelecidos pelo DSM-IV e CID-10.

Com base nos estudos e relatos de Barbieri (2.004), para se fazer o diagnóstico do transtorno, foi possível notar o uso dos seguintes instrumentos: entrevistas de anamnese, técnica de Rorschach, sessões psicanalíticas lúdicas, entrevista familiar diagnóstica e devolutiva.

5.TRATAMENTO
As pessoas diagnosticadas pelo Transtorno desafiador de Oposição, Transtorno de Conduta ou Transtorno de Personalidade necessitam de uma excessiva atenção e acompanhamento precoce, com o intuito de se amenizar os comportamentos antissociais.
Os tratamentos citados na literatura são bastante variados, podendo incluir: acompanhamento do indivíduo diagnosticado, intervenções familiares e junto a equipe escolar, orientando e treinando a família, comunidade e professores.
Os melhores resultados têm sido apontados por aqueles que têm por objetivo o tratamento de sintomas específicos, e a terapia comportamental dialética vem recebendo um reconhecimento internacional de sua eficácia em Transtorno de Personalidade. (MORANA, 2.006)
O que se observa é que nenhum tratamento obtém um resultado satisfatório quando aplicado isoladamente, isto é, faz-se necessário uma equipe multidisciplinar atuante, família, paciente, sociedade, escola e terapeuta, para que desta forma se encontre harmonia na intervenção.
No estudo de Bordin (2.000) é ressaltada a importância de se fazer o diagnóstico precocemente e quanto mais jovem o paciente, melhores os resultados obtidos nas intervenções. Neste mesmo estudo é apontada a importância de apoio aos pais, com o objetivo de se estabelecer métodos mais apropriados para educar o filho, bem como o contato do terapeuta com a escola, com o intuito de amparar a equipe pedagógica no relacionamento aluno/professor, aluno/aluno.
O que se nota é que o envolvimento do paciente com oficinas de artes, pintura, música e esportes contribuem bastante para o tratamento do transtorno, pois se observa a oportunidade do indivíduo estabelecer vínculo afetivo com os profissionais responsáveis pelas atividades, além do paciente se sentir capaz na realização das atividades.
Bordin(2.000) aponta ainda que o uso de medicações faz-se necessário somente em casos onde o paciente manifeste convulsões, agressividades ou depressão. Já na fase adulta, caso haja indícios de suicídio, autoagressão ou homicídio, a hospitalização é um dos recursos utilizados.
Outra contribuição que se tem referente ao tratamento do indivíduo diagnosticado com os transtornos acima citados, é a de Barbieri (2.004, p.05 apud GRUSPUN, 2.004) “Práticas como psicoterapia, atendimento psicopedagógico ou mudança do ambiente da criança devem ser acompanhadas por intervenções com os pais, senso a profilaxia da doença dirigida principalmente a eles”.

6.CONSIDERAÇÕES FINAIS
Buscou-se apresentar no presente trabalho o conceito e intervenções no tratamento de crianças diagnosticadas com Transtorno de Conduta. Com base nos estudos apresentados, podemos concluir que o Transtorno de Conduta é um problema comportamental possível de ser diagnosticado e tratado, evitando seu agravamento no futuro. Muitas vezes esse transtorno pode vir acompanhado de TDAH, o que poderá acarretar em consequências negativas na vida acadêmica, social e familiar da criança.
Faz-se imprescindível um olhar criterioso por parte da equipe pedagógica que acompanha o aluno, avaliando adequadamente os comportamentos apresentados, e se necessário encaminhando-o para os profissionais competentes. Muitos dos comportamentos apresentados atualmente nas escolas públicas e privadas podem ser indícios de Transtorno de Oposição e Desafio ou até mesmo, Transtorno de Conduta.

Bibliografia

REFERÊNCIAS
BARBIERI,V.;JACQUEMIN, A.;ALVES, Z. M. M. B. Alcances e limites do psicodiagnóstico interventivo no tratamento de criança antissociais. In: Paideia. Ribeirão Preto, v. 14, n.28, 2004.
BORDIN, I. A. S.; OFFORD, D. R. Transtorno da conduta e comportamento anti-social. In: Revista Brasileira de Psiquiatria. São Paulo, v.22, n. 2, 2.000.
CID-10 – Classificação de Transtornos Mentais e do Comportamento. Descrições clínicas e Diretrizes Diagnósticas. Porto Alegre. Ed.Artes Médicas, 1993.
DSM-IV – Manual Diagnóstico e Estatístico. Porto Alegre. Ed. Artes Médicas, 1995.
GREVET, E. H. et al. Transtorno de Oposição e Desafio e Transtorno de Conduta: os desfechos no TDAH em adultos. Rio Grande do Sul: Bireme, 2007.n.56, v.1.Disponível em: ? http://www.portal.revistas.bvs.br? Acesso em 27 nov. 2009.
SILVA, A.B.B. Mentes Perigosas. O Psicopata mora ao lado. Rio de janeiro: Ed. Fontanar, 2.008.
MONDONI, Susan. Transtorno de Conduta. São Paulo, 2006. Disponível em : ? HTTP://www.psiquiatriainfantil.com.br? Acesso em : 23 nov. 2009.
MORANA, C.P; STONE, M.H.; ABDALLA FILHO, E. Transtorno de personalidade, psicopatia e serial Killer. In: Revista Brasileira de Psiquiatria. São Paulo, v.28, n.3, 2006.
PACHECO,J.; ALVARENGA P.; REPPOLD, C.; PICCININI, C.A.; HUTZ, C.S. Estabilidade do comportamento antissocial na transição da infância para a adolescência: uma perspectiva desenvolvimentista.In: Revista Psicologia: Reflexão e Crítica. Porto Alegre, v. 18, n.01, 2005.
PSICOLOGIA. Psiquiatria geral. Coordenado por: GJBallone. Disponível em: Acesso em: 19 maio 2010.

Publicado em 04/02/2011 17:13:00

Currículo(s) do(s) autor(es)

Fabiane Cristina Favarelli Navega - (clique no nome para enviar um e-mail ao autor) -

Aluna do curso de pós-graduação do curso de Psicopedagogia pela Universidade Anhanguera. Formada em Pedagogia com habilitação em Educação Especial pela UNIMEP (2.000) atua na área da educação desde janeiro de 2.001.

Método e Controle

COMPROMETIMENTO, MÉTODO E CONTROLE: A LIÇÃO DE BENJAMIN FRANKLIN GESTÃO DO TEMPO Benjamin Franklin, inventor, estadista, escritor, editor...