terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Os Equívocos sobre a psicopedagogia

OS EQUÍVOCOS SOBRE O PSICOPEDAGOGO

Laura Monte Serrat Barbosa

É preciso que os colegas que estão levantando a bandeira da oposição à Psicopedagogia lembrem que saímos da era industrial, na qual a ciência foi supervalorizada; a precisão era objetivo importante e perseguido por todas as disciplinas e práticas profissionais; os limites entre as disciplinas era crucial; a identificação de causa e efeito era entendida de forma linear, como uma grande linha de montagem, em que cada um faz seu papel para que o produto final seja a soma dos esforços


Como você vê a evolução da psicopedagogia ao longo destes 20 anos de prática?

A Psicopedagogia teve uma evolução invejável, nestes 20 anos, pois partiu de uma preocupação com um aspecto específico da questão da aprendizagem (a dificuldade de aprendizagem) e hoje estuda o ser cognoscente como um ser inteiro, mergulhado em um contexto, com possibilidades de aprendizagem em vários âmbitos da sociedade.
Tem se caracterizado como uma área que evoluiu rapidamente por ser uma das áreas do conhecimento necessárias na era da informação e da comunicação. Como comunicar se não houver o que comunicar. Aprendizagem nos dias de hoje é fundamental. A área de estudo que aprofundou os conhecimentos e experimentou relacioná-lo com a prática, nestes últimos 20 anos, foi a Psicopedagogia, e por isso está sendo reconhecida e valorizada.
Muitas pessoas com espírito investigativo e empreendedor tomaram parte deste movimento, chamado Psicopedagogia, e graças a elas esta área encontra-se tão fortalecida.
A Psicopedagogia está muito presente nas atuais propostas educacionais nacionais, em forma de assessoria, de bibliografia e, principalmente, em forma de idéias, as quais já vêm sendo colocadas em prática em muitos pontos do país.
A Psicopedagogia se preocupou, nestes anos todos, com o "aprender a aprender"; "aprender a fazer" de forma autônoma; com o "aprender a ser" humano; o "aprender a compartilhar" o mundo, a natureza, as idéias, as intenções e as ações. A visão psicopedagógica está presente em vários municípios do interior e em quase todas as capitais brasileiras e está fazendo parte do esquema conceitual referencial operativo (ECRO) de um grande número de educadores.
É importante que as pessoas saibam que a Psicopedagogia chegou aonde chegou por mérito dos psicopedagogos, e não por causa de alguma lei criada 40 anos atrás. O que se deseja é melhorar as condições de aprendizagem neste país e não apossar-se de conhecimentos, de práticas, de mercado de trabalho ou mesmo do espaço de outros profissionais que, na verdade, não são outros mas sim nós pedagogos, nós psicólogos, nós fonoaudiólogos que, sedentos de um conhecimento que superasse aquele de nossa graduação, buscamos uma área de estudo que nos proporcionou a oportunidade de nos especializarmos em aprendizagem e de ir bem além do que poderíamos se ficássemos contentes com o conhecimento que possuíamos até então.
A Psicopedagogia cresceu tanto que, apesar de ter somente 20 anos, aqui no Brasil, está tendo o poder de assustar psicólogos, pedagogos e fonoaudiólogos que, por algum motivo, desejaram ficar à parte desse movimento e agora se percebem ameaçados pela atualidade dos estudos, pela profundidade do trabalho, pela qualidade das pesquisas e pelo desejo destes profissionais de regulamentarem esta atividade, para que não se caracterize como "terra de ninguém", e pessoas menos preparadas possam se utilizar de uma fachada em detrimento do desenvolvimento de pessoas.


Em seu livro: "Projeto de Trabalho - Uma forma de atuação psicopedagógica", que está em sua 2ª edição, você explicita bem a complexidade da área psicopedagógica, e o engano em se acreditar que a psicopedagogia é a junção das áreas pedagogia + psicologia. Nos fale um pouco sobre esta confusão.

Temos ouvido, no decorrer de nosso caminho, muitas pessoas acreditando que a Psicopedagogia é a soma dos conhecimentos da Psicologia e da Pedagogia e outros acreditando, por causa do prefixo "psi", que é a Psicologia aplicada à Pedagogia e, portanto, campo de atuação do psicólogo.
Isto acontece mesmo com profissionais que têm acompanhado nossa caminhada e contribuído conosco em nossos estudos e encontros científicos. Agora em nosso último Congresso (em São Paulo, em julho deste ano), ouvimos mais de um profissional da área de Psicologia e de Neurologia afirmando, diante de um público de mais de 1400 pessoas, esta adição de duas áreas.
Sabemos que ambas participam da síntese que é a Psicopedagogia; porém, sabemos também que mesmo sendo muito amplas não são suficientes para compreender toda a extensão e a complexidade do processo de aprender.
Provavelmente, o nome Psicopedagogia contribui para isto e, atualmente, a oposição de psicólogos, pedagogos e também dos fonoaudiólogos acaba reforçando a idéia de que a nossa área de estudo resume-se a uma simples soma, e que a Psicopedagogia está se apropriando de algo que não é seu, que pertence a outros profissionais.
No entanto, é preciso pensar a questão de forma contextualizada e não de forma simplista, acreditando que uma estratégia política de somar esforços das cúpulas responsáveis pelas referidas áreas seria suficiente para fazer retroagir a história. Muitos profissionais já conhecem o trabalho do profissional da Psicopedagogia; muitas pessoas já se beneficiaram do trabalho realizado pela Psicopedagogia; muitos professores já puderam experimentar as conseqüências de um trabalho psicopedagógico na sua formação continuada, na aprendizagem de seus alunos e na assessoria prestada a sua escola. Como negar a eficiência de um trabalho que vem mostrando resultados eficientes? Como devolver para o centro da Terra um conhecimento que já foi construído? Como engolir a demanda que continua existindo?
O que acredito, de coração, é que não importa se o nome é Psicopedagogia, Psicologia Educacional, Pedagogia Terapêutica, Fonoaudiologia Educacional, e nem se quem deve fazer a intervenção tenha uma profissão regulamentada; o que realmente importa é que esta intervenção seja realizada tendo como foco a completude de cada pessoa, a seriedade e o conhecimento do profissional envolvido.
Penso ser muita onipotência dos movimentos reacionários acreditar que é possível reverter a história depois do início de seu curso.
É preciso que os colegas que estão levantando a bandeira da oposição à Psicopedagogia lembrem que saímos da era industrial, na qual a ciência foi supervalorizada; a precisão era objetivo importante e perseguido por todas as disciplinas e práticas profissionais; os limites entre as disciplinas era crucial; a identificação de causa e efeito era entendida de forma linear, como uma grande linha de montagem, em que cada um faz seu papel para que o produto final seja a soma dos esforços.
Na verdade, a ciência foi analisando tanto o mundo, estudando cada aspecto que acabou por fragmentar o conhecimento, fazendo parecer que a super especialização é a única saída para a existência.
Já neste século que ora finda, aconteceram importantes integrações disciplinares, visando entender a complexidade do mundo. Os limites começaram a ficar mais frouxos, e surgiram as disciplinas que fazem interseção, tais como: a Engenharia Mecânica, o Desenho Técnico, a Educação Física, a Educação Informática, a Arte Educação e outras.
Estes indícios foram apontando para visões mais amplas que pudessem compreender o mundo em movimento e a era da comunicação e da informação na qual adentramos.
A Psicopedagogia surge neste contexto em que a Visão Sistêmica, os Estudos Holísticos, Ecológicos, a Epistemologia Convergente, a complexidade tentam compreender o homem em interação, num interjogo de influências entre ele e o meio em que vive.
A Psicopedagogia, no entanto, não é uma soma que permite com que o profissional matricule-se num curso para aprender apenas a parte que lhe falta. Ela é uma disciplina com especificidades tais que precisa ser aprendida inteira e não através de pedaços e retalhos. É o resultado de aproximações recíprocas de esquemas teóricos e práticos de várias áreas do conhecimento.


Em sua opinião, por que tanta demora na regulamentação da profissão?

Não acreditamos que um sintoma possa ser causado por apenas um fenômeno. A demora da regulamentação tem a ver também com as mudanças de paradigmas que a sociedade enfrenta.
Estamos saindo de uma época de rigidez e de delimitações estanques para uma era em que ainda não temos claro os limites. Os avanços tecnológicos nos mostram situações que colocam em cheque as regras existentes, a ética, os interesses econômicos e políticos.
O que pensar sobre as clonagens? Como criar uma ética para a Internet? Como regulamentar profissões num mundo extremamente ágil, no qual as profissões terão uma vida curta? Como pensar em formações longas diante de um mercado de trabalho mutante?
A regulamentação da profissão Psicopedagogia, considerada como resultado de uma especialização no nível de pós-graduação, é uma solicitação revolucionária e inédita, pós-moderna, que entende que as necessidades do homem mudam e por isto as demandas vão sendo diferentes, num espaço mais curto de tempo, exigindo decisões mais ágeis. No entanto, as leis já existentes não conseguem acompanhar esta agilidade.
Além disto, a demora se dá devido à resistência prevista nos processos de transformação. Para que o processo dialético possa se dar e resultar em uma síntese necessita de líderes de mudança e líderes de resistência.
Sem a oposição da Psicologia e da Pedagogia, por exemplo, a Psicopedagogia não poderá legitimar-se como uma profissão diferenciada.
Muitas vezes temos pressa; porém, quando estamos vivendo a história temos de admitir que o processo histórico demora mais tempo do que gostaríamos.


Sabemos que o livro "Projeto de Trabalho - Uma forma de atuação psicopedagógica", tem sido utilizado em clínicas e escolas com muito sucesso. Qual é o ponto forte do livro?

Fico feliz em saber que o livro foi bem recebido.
Acredito, pelos retornos que recebi dos leitores, que o ponto forte do livro está ligado ao fato de integrar a teoria à prática e a prática à teoria, usando uma linguagem simples e séria.
Creio que consegui sintetizar neste livro a paixão que possuo por aquilo que faço e a importância que dou à aprendizagem como um movimento que se dá dentro de quem aprende, resultado de um significado.


O que vem a ser "Projeto de Trabalho"?

Apresentamos o projeto de trabalho como uma forma de ação psicopedagógica que lida com alguns fenômenos cognitivos, tais como a antecipação, a previsão e o planejamento, seguido de uma atividade que precisa concretizar o que foi antecipado.
É uma situação na qual o aprendiz traça uma meta e compromete-se como autor, passando por vários momentos desta autoria: o planejamento, a execução, as avaliações contínuas, as conclusões e a avaliação final, com possibilidades de reelaboração do produto realizado.
É uma situação de investigação e de pesquisa que possibilita o desenvolvimento de competências gerais e, conforme o projeto de trabalho, o desenvolvimento de competências específicas.
As competências gerais estão atreladas às habilidades metacognitivas, tais como: observação, planejamento, atenção, memória e avaliação, enquanto que as específicas estão ligadas ao tema do projeto e aos procedimentos adotados.


Qual a importância da Metacognição?

A metacognição mobiliza recursos cognitivos que são responsáveis pelo movimento geral de aprender. O aprender a aprender só é possível na medida em que desenvolvemos habilidades metacognitivas. Quanto mais conscientes do nosso funcionamento para aprender mais aprendizagens acontecerão.

Qual a importância da leitura e escrita no processo de aprendizagem?

A aprendizagem pode se dar através das mais variadas linguagens. A linguagem escrita tem o poder de registrar o conhecimento, eternizá-lo. Esta função era única há alguns anos atrás; porém, a linguagem visual também tem esta função. O que diferencia a linguagem escrita das outras formas de linguagem é o fato dela possibilitar a reflexão dentro de um tempo possível para quem está lendo ou escrevendo. Neste sentido, a leitura e escrita são ferramentas importantes da aprendizagem, da comunicação e da história.
Ler, antes de tudo, é adivinhar, como afirma Jean Foucambert. Isto permite o exercício de levantar hipóteses, a verificação posterior, os ajustes e a aprendizagem; o escrever exige a antecipação do pensamento, a organização de idéias, o traçar de metas, a realização, a avaliação e a reelaboração.
Para os aprendizes da era da informação e da comunicação, a leitura e a escrita se constituem em instrumentos de estudo, de trabalho e de troca. Exige compreensão e rapidez; marcas do mundo pós-moderno.

Laura Monte Serrat Barbosa - graduação em Pedagogia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (1972) e mestrado em Educação pela Universidade Federal do Paraná (1993). Tem formação em Psicopedagogia (1993) e Teoria e Técnica de Grupos Operativos (1994) pelo Centro de Estudos Psicopedagógicos de Curitiba. Atualmente é professora convidada da Universidade Paranaense, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, da Universidade Católica de Goiás, da Universidade Católica do Salvador, da Faculdades Integrado de Campo Mourão, da Faculdade de Artes do Paraná. É sócia da Síntese - Centro de Estudos, Aperfeiçoamento e Desenvolvimento da Aprendizagem. É associada titular e conselheira da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Psicopedagogia, atuando principalmente nos seguintes temas: projeto de aprender, atuação psicopedagógica, dificuldade de aprendizagem, avaliação psicopedagógica institucional, instituição escolar, inclusão, relação professor/aluno, operatividade na aprendizagem e desenvolvimento simbólico no processo de aprender. É autora de livros e artigos na área de Psicopedagogia e Educação.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Brincadeira e Psicopedagogia

TIPOS DE BRINCADEIRAS E COMO AJUDAR A CRIANÇA BRINCAR

Angela Cristina Munhoz Maluf

(capítulo do livro: brincar prazer e aprendizado -vozes, 2003)

As crianças precisam atravessar diversos estágios no aprendizado de brincar em conjunto, antes de serem capazes de aproveitar as brincadeiras de grupo. Mesmo depois que ela ganhou confiança em brincar com outras crianças ela gostará, às vezes, de voltar a brincar sozinha ou apenas na presença de amigos, sem colaboração de alguma parte.

Podemos identificar diferentes tipos de brincadeiras sob o ponto de vista da participação social, cada um deles implicando num maior envolvimento entre as crianças e uma maior capacidade de se relacionar e se comunicar com os outros.



Brincadeiras solitárias

Brincar pode prender totalmente a atenção da criança. Há muito que explorar no mundo: forma, textura (áspero, liso, escorregadio) consistência (duro, macio) cor, gosto. Tudo deve ser explorado, sentido, cheirado, experimentado. No início do brincar, significa isso, e a presença de outra criança não oferece nenhum interesse. Absorvido nas próprias atividades, separado de outras crianças, brinca com coisas diferentes. Freqüentemente silenciosamente, às vezes fala consigo mesmo.



Brincadeiras em paralelo... Brincar na presença do outro

Antes de mostrar interesse nas brincadeiras de outras crianças, a criança que está brincando sozinha vai querer passar boa parte do tempo brincando ao lado de seus novos amiguinhos, sem fazer esforço para estabelecer contato. Contentar-se-á em brincar ao lado de outras crianças, “em paralelo” e se absorverá na sua própria atividade. No máximo defenderá seus brinquedos. A fala não é geralmente dirigida a ninguém em particular. Até é possível que as crianças brinquem em silêncio.



Observar brincadeiras

Uma modificação muito grande acontece quando a criança passa a mostrar interesse nas atividades de outras crianças. No início, tal interesse parecerá bastante passivo, e bom espaço de tempo será gasto, simplesmente, na observação das brincadeiras. Pode-se notar, porém, que esse comportamento será bem diferente de uma olhada sem compromisso, pois a criança estará obviamente envolvida, muito absorvida em sua observação. Não há conversas entre eles.



Juntar se à brincadeira... Brincar com os outros do próprio grupo.

Os primeiros movimentos em direção a juntar-se às brincadeiras de um grupo podem tanto se tranqüilos quanto tempestuosos; isto depende do grupo em questão e da criança que pretende juntar-se. Seja como for, os relacionamentos no interior do grupo tendem a se formar rapidamente, talvez cessar com a mesma rapidez e, freqüentemente, se refazer minutos depois.



Existem dois tipos característicos de brincadeiras nessa fase:

O primeiro envolve fazer o que todos estão fazendo, apenas para não ser diferente, ou talvez como um meio de tornar-se um membro do grupo. É o que pode acontecer, por exemplo, quando um pequeno grupo de crianças está correndo juntas, gritando qualquer coisa.

O segundo surge quando membros do grupo estão engajados numa mesma atividade, como, por exemplo, desenhando ou montando um quebra-cabeça em volta de uma mesa, tendo, porém, como principal interesse conversar entre si.

O assunto da conversa pode afastar-se completamente da atividade que esteja sendo desenvolvida e incluir a troca de informações sobre os pais, os acontecimentos especiais como aniversários e passeios. A atividade em si pode ser mencionada na conversa, mas outra vez ocorrerá em uma situação mais ampla, relacionada com o que as crianças gostam ou não gostam, ou sobre o que cada uma está fazendo.



Brincadeiras Cooperativas

Em algum momento, o interesse do grupo se desvia da troca de idéias para o jogo no qual está envolvido. Na brincadeira cooperativa, é muito importante pertencer ao grupo. A criança tem um lugar definido, bastante diferente daquele decorrente da atividade individual que caracteriza as brincadeiras solitárias ou em paralelo e, diferente até, da simples socialização peculiar ao processo de se juntar a um grupo. (Cooperação simples).Brincadeiras cooperativas podem constituir, simplesmente, a atividade conjunta de montar objetos com peças de encaixe, ou fazer castelos de areia. A criança toma parte em atividades compartilhadas, fazendo as mesmas coisas, divide brinquedos, espera a sua vez, trabalha com os outros. A conversa é principalmente em torno da própria atividade.



Cooperação Complexa

Nesse tipo de brincadeira as crianças assumem papéis, esperam a vez, e toda a atividade depende mais do desempenho conjunto do grupo.

A criança brinca de faz-de-conta, assume um papel e o representa. Participa também de jogos com regras complexas. Certas brincadeiras, como imitar papai e mamãe, por exemplo, podem durar vários dias ou semanas, com graus variáveis de elaboração e com interrupções causadas por outros interesses. A conversa gira principalmente em torno dos papéis representados.

À medida que cresce, a criança vai incluindo mais tipos de brincadeiras em suas atividades. Assim, aos dois anos ela não é capaz de brincar cooperativamente, mas aos quatro já consegue. Quando mais crescida ela, ocasionalmente, brinca sozinha ou em paralelo.

As brincadeiras sociais vão se desenvolvendo à proporção que a criança descobre como se comunicar com as outras, usando a palavra. De um modo geral somente aos dois anos, ela começa a se interessar em observar outras crianças brincando, e até tentar brincar junto. Mas sempre estas crianças são suas rivais, e quando encontra problemas, procura a mãe. Aos três anos ela começa a brincar mais com outras crianças, fica feliz em ser aceita em um grupo.A partir dos quatro anos participa de jogos de faz-de-conta, brinca de forma cooperativa simples, em paralelo, solitária. Nessa idade a criança gosta de todos os tipos de atividade.



Observando as brincadeiras das crianças, vamos notar o desenvolvimento e as mudanças em seus interesses e nos padrões de seu relacionamento social. Uma tal compreensão tem vantagem adicional de ajudar bastante na vida com uma criança pequena. Por exemplo, sabemos que, uma festa de aniversário com muitas crianças de dois anos de idade não será, jamais, um sucesso. Já aos três anos enquanto algumas crianças estão prontas para participar de brincadeiras de grupo, outras ainda se encontram no estágio solitário ou em paralelo.



Quando as crianças estão doentes ou sentindo-se inseguras, suas brincadeiras regridem a fases anteriores e elas passam a brincar da forma como o faziam há seis meses ou um ano. Isto é de se esperar e devemos tomar providências para satisfazer as necessidades da criança.

A maior parte das crianças que brinca sozinha, leva mais tempo para atravessar diversos estágios de aprender a brincar em grupo. Nunca devemos forçar uma criança a participar de brincadeiras em grupo se ela não quiser; é perfeitamente possível que ela não saiba como fazer isto, por ainda não estar preparada.



Como podemos ajudar a criança brincar

À medida que a criança cresce ela vai aprendendo várias brincadeiras, começa a gostar de brincar com outras crianças, e não perde a necessidade e nem o interesse como fazia nos estágios anteriores.

A melhor maneira de a criança aprender a brincar é respeitarmos seu próprio ritmo, ajudá-la e encorajá-la, se necessário. Se a criança possui oportunidade de brincar com outras crianças da mesma idade, a maioria delas aprende; antes do cinco anos, saberá dividir, compartilhar e conviver bem em grupos. Devemos proporcionar à criança muitas oportunidades de atravessar os diversos estágios de aprendizado. Além disso, é importante se ter idéia do que fazer durante as atividades das crianças, para tornar as coisas mais fáceis para todas elas.



Os adultos podem, dessa maneira, cumprir várias funções:

•Dar apoio;

•Escolher o momento certo para ajudar a criança a se retirar da brincadeira, quando sentir que ela está insegura.

•Assegurar sempre que a criança esteja pronta para novas experiências, deixando que ela se manifeste.

•Dar idéias: sugerir novas atividades, e estar sempre preparado a ter idéias rejeitadas, quando as crianças ficarem determinadas e seguirem outro rumo.

•Estimular conversas: às vezes a conversa decorre naturalmente da brincadeira, desviando a atenção da criança do aqui e agora.

•Dar conselhos: julgar cuidadosamente quando a criança será capaz de aprender com a experiência, ou se é melhor intervir.

•Atuar como juiz: avaliar situações intervir, para resolver atritos ou evitá-los.

•Tomar parte na brincadeira: aceitar qualquer papel que lhe seja atribuído.

•Ajudar uma criança em dificuldades quando alguma tarefa está além das suas capacidades.


Nunca devemos esquecer que brincar é altamente importante na vida da criança, primeiro por ser uma atividade na qual ela já se interessa naturalmente e, segundo, porque desenvolve suas percepções, sua inteligência, suas tendências à experimentação, seus instintos sociais.

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"A Difícil Arte de Amar" A Limitação do Conhecimento entre o Homem e a Mulher Uma Interpretação da Psicologia Simbólica Jungui...