Pular para o conteúdo principal

Psicopedagogia Institucional

ANÁLISE DO PERFIL PSICOPEDAGÓGICO DA INSTITUIÇÃO

Simone dos Santos Antonio

O objetivo deste artigo é de compreender a atuação do psicopedagogo no âmbito institucional, juntamente com as necessidades e realidades vividas pelas escolas atualmente. O docente precisa motivar e envolver seus alunos para que se sintam estimulados para o seu desenvolvimento, proporcionando um ambiente que conferir ao aluno criar, comparar, discutir e perguntar, ou seja, aplicar e adquirir os conhecimentos. A intenção desse trabalho é proporcionar ao psicopedagogo, que tem um papel muito importante nesse processo de diagnostico e intervenção, um exemplo de intervenção, desde sua análise educacional, individual e até mesmo a análise da vivência individual de cada aluno envolvido. Vemos a necessidade que os alunos possuem de criar vínculos com seus professores, facilitando seu desenvolvimento cognitivo. No desenvolver o artigo fico fácil perceber a importância de um diagnóstico preciso, onde são ouvidas as diferentes visões e queixas dos agentes educacionais envolvidos.

Palavras-chave: Psicopedagogo, aprendizagem, intervenção.

INTRODUÇÃO
O psicopedagogo atua como um facilitador, identificando, diagnosticando e intervindo na solução da dificuldade de aprendizagem encontrada na criança. A intervenção psicopedagógica é importante na atuação do psicopedagogo, porém para obter-se um resultado satisfatório é necessário planejar a atuação
Segundo Coelho (2001) “Historicamente, a intervenção psicopedagógica vem ocorrendo na assistência às pessoas que apresentam dificuldades de aprendizagem (...) Diante do baixo desempenho acadêmico, alunos são encaminhados pelas escolas que freqüentam, com o objetivo de elucidar a causa de suas dificuldades. A questão fica, desde o princípio, centrada em quem aprende, ou melhor, em quem não aprende”.
A autora acrescenta ainda que para analisar a dificuldade de aprender inclui analisar o projeto pedagógico escolar, suas propostas de ensino e a valorização da aprendizagem. Essa ampliação através do aluno fornece ao psicopedagogo abrir espaços para que se disponibilizem recursos frente aos desafios encontrados, para que aconteça com sucesso a efetivação da aprendizagem.
Segundo a constituição federal é garantido o direito á igualdade e o direito de todos à educação. Os mesmo visam o desenvolvimento da pessoa, seu preparo para a cidadania e sua qualificação para o trabalho. A constituição federal garante a todos o direito à educação e ao acesso a escola, assim toda escola deve atender aos princípios constitucionais, não podendo excluir nenhuma indivíduos.
Conforme Almeida (2009) “A aprendizagem exerce papel essencial no desenvolvimento humano, sendo sua principal característica os processos de mudança que ocorrem como resultado da experiência. Um componente essencial no processo de aprendizagem é a escola. Sendo esta, o espaço físico institucional onde se fornece de modo sistemático ensino coletivo. Deve ser entendida como espaço social responsável pela educação das pessoas, vinculada à realidade e necessidade da comunidade na qual está inserida”.

DESENVOLVIMENTO
Problema / Queixa principal (agentes educativos envolvidos)
Os professores consideram que as crianças em questão são incapazes de progredir na escola. Os professores não as conhecem profundamente. A turma que apresentou reprova de 70% da sala tiveram uma substituição constante de alunos que atingiu, no numero de sete professores em um ano. No próximo ano os alunos reprovados foram designados a ter aula com uma professora novata sem experiência como docente. Essas crianças repetiram novamente e foram redistribuídas pelas classes de iniciantes, a fim de recomeçar o processo de alfabetização. Os alunos não produziam, não faziam as lições, não se mobilizavam e para terem algum rendimento, acredito que precisam de estimulados.
Os principais agentes educativos envolvidos são: professores, inspetores, monitores, direção da escola e os pais dos alunos.
Segundo Oliveira (2009) “O diagnostico objetiva essencialmente orientar para um processo interventivo que seja significativo para o sujeito ou instituição em questão, no sentido de potencialização da aprendizagem”.
Sendo assim, percebemos o quanto o trabalho em equipe é importante para o sucesso de uma intervenção psicopedagógica. Sua totalidade quando envolvida com o objetivo de fortalecer a aprendizagem torna satisfatório os resultados a serem alcançados.

Hipóteses
Segundo Oliveira (2009, p.51) “Compreender o processo histórico de funcionamento e estabelecimento da estrutura maior que é a instituição, a partir das redes de relação, amplia a possibilidade de visão em relação à aprendizagem e confere maior flexibilidade de atuação e compreensão da situação atual da instituição”.
O psicopedagogo usa do diagnóstico psicopedagógico para identificar os problemas encontrados. É um processo de investigação, onde busca por pistas, selecionando e centrando-se na investigação de todo processo de aprendizagem, levando-se em conta todos os fatores envolvidos neste processo.
Devemos considerar algumas perguntas:
•Os professores são qualificados?
•Os professores são imparciais?
•A escola oferecem os recursos necessários para o bom desenvolvimento da aprendizagem das crianças?
•Os professores e a diretoria se apresentam de maneira ativa e afetiva para os alunos?
•Os pais fazem o seu papel e se preocupam em saber como os filhos esão caminhando na escola?
•As crianças se comprometem e realizam as suas tarefas?

A escola é um espaço relacional, onde se transmitem valores, além de estabelecerem rituais e convenções. O aluno precisa ser interpretado como um conjunto de suas condições materiais e espirituais de existência, sem esquecer que isso inclui a estrutura familiar.
Podemos levar as hipóteses que essas crianças sentem-se inferiores perante os demais alunos. Consequentemente até os professores, sentem-se frustrados por não conseguir desenvolver a grande essência de sua função – criar o estímulo e a interação entre o ensino – aprendizagem.

Instrumentos de Pesquisa
Oliveira (2009) conceitua que qualquer profissional que deseje trabalhar em escolas, precisa conhecer o sistema escolar, ou seja, os elementos que constituem uma estrutura formal e uma organização informal. Isso não é diferente para o profissional psicopedagogo que se sujeita a ser o articulador das relações de aprendizagem, envolvendo todos os elementos da instituição, como: programação, recursos materiais, pessoal escolar e a escola e seus subsistemas. A Autora acrescenta ainda que o profissional psicopedagogo provoca mudanças no individual e no coletivo, é importante ainda fazer uso de uma visão sistêmica que envolva todos os subsistemas.

A tarefa do psicopedagogo é identificar a dificuldade de aprendizagem que os alunos estão apresentando para então chegar a latente, que caracteriza a forma como a instituição escolar lida com as situações conflituosas. O psicopedagogo intervém, então, criando condições favoráveis para que a aprendizagem aconteça naquele grupo, tornando-se comprometido com a continuidade desse processo. (OLIVEIRA, 2009, p. 62).

Segundo Oliveira (2009), para realizar um diagnóstico de sucesso é preciso identificar alguns aspectos essenciais e seus questionamentos, como:
•Análise do contexto e leitura do sintoma: requer um pensamento sistêmico para que a visão seja ampla e imparcial. Ex: “Quais são os envolvidos?”, “Qual a responsabilidade de cada um deles?”;
•Explicação das causas em relação ao sintoma: é preciso analisar os obstáculos, através do diagnóstico institucional. É necessária uma pesquisa da dimensão histórica da causa das queixas. Ex: “Por que as crianças não aprendem?”, “Por que reprovam tantos anos”;
•Explicação da origem do sintoma e causas históricas: “analisar as concepções construtivista, estruturalista e interacionaista que embasam a epistemologia convergente”;
•Análise do distanciamento do fenômeno em relação aos parâmetros considerados aceitáveis: o diagnóstico psicopedagógico devem estar relacionados com as propostas da instituição;
•Indicação e encaminhamentos: é preciso que o psicopedagogo possua vários instrumentos de intervenção para atuar com precisão e variedade.

Participação dos agentes educativos na pesquisa avaliativa
Ação do psicopedagogo é intervir junto aos agentes educativos, não só professores que atuarão com essa turma na sala de aula, mas todos os envolvidos como direção, monitores, inspetores e outros profissionais, usando de uma orientação psicopedagógica, que pode acontecer através de reuniões mensais.
As reuniões mensais não devem ser individuais, mas com o grupo, favorecendo a troca de informações e possibilitando uma maior compreensão dos problemas enfrentados pela sala. O apoio dado não deveria ocorrer através da descrição individual de cada aluno, visando evitar a criação de rótulos, por fim desestimulando os professores.
Segundo Almeida (2009) “Portanto, é relevante que o professor conheça o processo da aprendizagem e esteja interessado nas crianças como seres humanos em desenvolvimento. Ele precisa saber o que seus alunos são fora da escola e como são suas famílias”.

Planejamento e medidas intervenção frente o diagnóstico realizado
Conforme Coêlho (2001) que apesar dos esforços que as escolas tradicionalmente oferecem para a solução dos problemas encontrados no processo de aprendizagem dos alunos, a escola, muitas às vezes não se dispõe a alterar o seu sistema de ensino e acolher o aluno que possui dificuldades necessidades.
O estudo psicopedagógico atinge plenamente seus objetivos quando, ampliando a compreensão sobre as características e necessidades de aprendizagem daquele aluno, abre espaço para que a escola viabilize recursos para atender as necessidades de aprendizagem. Desta forma, o fazer pedagógico se transforma, podendo se tornar uma ferramenta poderosa no projeto terapêutico. (COÊLHO, 2001).

É preciso realizar uma entrevista com todos os envolvidos para a exposição dos motivos pelos quais as crianças não aprendem e consequentemente reprovam de ano. O processo de diagnóstico é real é verdadeiro para o caso em si. O sintoma deve ser percebido como algo que não está caminhando bem.
Conforme Oliveira (2009, p.72) “Normalmente, o sintoma ou a queixa, configura-se pela descrição da dificuldade de aprendizagem de um indivíduo ou de um grupo”.
Seguindo ainda Oliveira apud Simone Carlberg, que organizou um instrumento para essa observação, chamado de EOCMEA – Entrevista Operativa Centrada na Modalidade de Ensino Aprendizagem. Baseado no EOCA – Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem, desenvolvido por Visca.
Como o EOCMEA pode aproximar do objeto de estudo para perceber o que o grupo sabe e não sabe. Após toda etapa de investigação e estudo, vê-se a necessidade de fazer uma devolutiva a todos os envolvidos do que foi percebido e concluído.

Uma solução que pode ser considera, seria a introdução de uma professora de apoio, que auxiliaria a professora em suas atividades, inclusive fora do período escolar, mas no ambiente da escola.
Este procedimento atenderia para que os alunos com dificuldades voltassem para casa com todas as tarefas realizadas. A professora de apoio que, tem o papel de criar um forte vínculo de confiança com os alunos, os empolgando na realização da aprendizagem.
A teoria do vínculo criada por Pichon Reviére, já dizia que as pessoas se relacionam de acordo com seus modelos de vinculação. Sendo o vínculo uma estrutura psíquica, complexa e de caráter e responsabilidade social.
Paralelamente ao trabalho de orientação, a intervenção psicopedagógica também inclui os pais, que através de reuniões, poderão acompanhar o trabalho realizado pelos professores e o desenvolvimento dos seus filhos. Abandonando o papel de espectadores, assumiram a posição de parceiros, participando, opinando e cobrando. Incorporados realmente ao trabalho de equipe, com a função e responsabilidades dos pais bem definidas.
Consequentemente, treinar os professores para que atuem com dedicação e comprometimento com as crianças, proporcionando à eles, que na maioria possuem problemas familiares, um relação de apoio e preocupação. Acredito que o expor às crianças da importância dos estudos de uma maneira lúdica, onde os mesmo deixem de se sentirem excluídos, pelos colegas que “não repetem de ano”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Coelho (2001) “Para o psicopedagogo, a experiência de intervenção junto ao professor, num processo de parceria, possibilita uma aprendizagem muito importante e enriquecedora, sobretudo quando os professores são especialistas nas suas disciplinas”.
Percebo que o psicopedagogo institucional diagnostica e conduz a equipe na resolução do conflito existente no ensino, na aprendizagem enas relações entre professores e alunos. Sendo assim o psicopedagogo tem um papel importantíssimo no contexto escolar, não apenas para fazer acompanhamento de casos, como para dar o apoio e a orientação aos professores e para servir de ponte de comunicação entre os envolvidos no contexto escolar.
Concordo com a colocação de Almeida (2009) que relata “A efetiva ação da Psicopedagogia tem se constituído num espaço plural e multidisciplinar, em busca do conhecimento articulado entre o psíquico e o cognitivo e as suas relações com a gênese da aprendizagem, objetivando trabalhar com os distúrbios de aprendizagem e a oferta de sugestões para a melhoria da qualidade do ensino”.
Concluo esse artigo reafirmando ainda mais a grande importância do psicopedagogo dentro de uma instituição educacional e sua intervenção por meio de medidas confiáveis e atualizadas que trazem o individuo a sua realidade. Proporcionando assim melhor qualidade no processo de ensino-aprendizagem desenvolvido entre alunos e professores.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, Marjorie Calumby Gomes de. A psicopedagogia institucional frente ao desafio da inclusão escolar. Artigo publicado em 08.Dez.2009. Disponível em http://www.psicopedagogiabrasil.com.br/artigos_marjorie_psicopedagogia_institucional.htm. Acesso em 04.01.2010 às 12:30:30
COÊLHO, Ana Silvia Borges Figueiral. A intervenção psicopedagógica na parceria com os professores. Artigo publicado em 02.Jan.2001. Disponível em . Acesso em 11.12.2009 às 12:00:30
OLIVEIRA, Mari Ângela Calderari. Psicopedagogia: a instituição em foco. 1. ed. Curitiba: Ibpex, 2009. 187 p

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A importancia da atuação Psicopedagogica no contexto escolar

A IMPORTÂNCIA DA ATUAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA NO CONTEXTO ESCOLAR Aylla Monise F.da Silva RESUMO Este artigo tem como objetivo discutir a importância da atuação psicopedagógica no contexto escolar, utilizando o método da pesquisa bibliográfica de autores válidos sobre este tema. Constitui-se de um breve histórico e uma contextualização da Psicopedagogia no Brasil, com enfoque significativo no contexto escolar. E apresenta alguns aspectos sobre a importância da ação psicopedagógica na escola com base na visão sistêmica. Sendo assim, este trabalho deverá compreender e refletir acerca da atuação do psicopedagogo frente às questões de ensino-aprendizagem na instituição escolar. Palavras-chave: Psicopedagogia, contexto escolar, aprendizagem. ABSTRACT This article has as a goal to discuss the importance of the psychopedagogic performance in school context, using as a methodology a reference research of renowned authors about this theme. It is constituted of a brief record and a contextualiza…

Dificuldades de Leitura

AS DIFICULDADES NA LEITURA
Telma Almeida Franco e Eunice Barros Ferreira Bertoso

As Dificuldades na Leitura – uma Proposta de Intervenção Psicopedagógica

Resumo
Este artigo apresenta como questão central conhecer as principais causas das dificuldades no processo de leitura e as intervenções psicopedagógicas, conceituar aprendizagem e dificuldades da mesma e analisar a opinião dos psicopedagogos quanto ao seu papel nas dificuldades de leitura. A leitura é definitivamente indispensável para que o indivíduo tenha uma comunicação com o mundo e para tirar as informações que ele perceba como adequadas para sua sobrevivência. Para a realização do estudo, a abordagem metodológica utilizada foi à pesquisa qualiquantitativa. Para a coleta de dados foi utilizado um questionário constituído de questões fechadas e abertas.
Foram escolhidos quinze psicopedagogos que atuam na área Clínica e Institucional na zona Sul da cidade de São Paulo. Dos quinze sujeitos entrevistados 33% possuem um tempo de e…

Crianças imaturas

MAS EU QUERO!

Isabel Cristina Hierro Parolin

Tenho presenciado cenas e vivido situações, principalmente com crianças na faixa etária entre 5 e 9 anos, que acreditam que basta elas não quererem para que devam ser atendidas. Tem-se a impressão de que a criança aprendeu que a simples formulação dessa frase, "mas eu quero..." estabelece o motivo e a obrigatoriedade de serem atendidas, incondicionalmente, em seu desejo.
Ouço depoimentos de professores relatando histórias de alunos que se negam a fazer lições de casa ou a estudar determinado tema, ou a participar de um trabalho coletivo e, como justificativa, estas crianças dizem que não querem, que é chato. Quando os professores insistem, dando um limite claro que é importante e necessário fazer determinada atividade escolar elas replicam, revestidas de autoridade que não querem fazer e que não vão fazer!
E agora? Como proceder? Estas crianças acreditam que só devem fazer o que lhes dá prazer. O que elas aceitem. Não aceitam subm…