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Subjetividade e Objetividade

Subjetividade e Objetividade: O Corpo e o Olhar desvelando a Trama do Ser e do Saber Humano

“Eu sou eu,
você é você,
Eu não vim ao mundo para atender às suas necessidades,
E nem você as minhas,
Se a gente se ENCONTRAR vai ser lindo,
Se não, nada se pode fazer.”

Perls ( Pai da Gestalt Terapia)

Este artigo é fruto de vários cursos e aprofundamentos pessoais e profissionais.

Como educadora tenho como marca/ matriz em meus estudos e pesquisas: os vínculos (internos e externos) e o corpo (do visceral/ concreto) ao corpo (palavra/ simbólico), favorecendo a construção de uma metodologia de desenvolvimento e aprendizado para o Ser e o Saber fundamentada no Paradigma Luz Borges: O Movimento Cognitivo – Afetivo – Social do Homem Ser/ Sujeito na produção do Conhecimento, de minha mestra Aglael Luz Borges.

Em minhas pesquisas, procuro estender foco para o olhar, a relação espaçotempo e as competências e habilidades do psicopedagogo muitas vezes professor, educador e pesquisador que este século XXI carece tanto.

Nossos Congressos de Psicopedagogia tem como meta favorecer, facilitar e mediar o ato de conhecer e (re)conhecer para saber o PODER no sentido de força e no sentido do eu POSSO, o LUGAR que o Olhar ocupa no mundo (tanto interno, quanto externo) onde afeta e é afetado este Ser/ Sujeito pelo objeto de conhecimento.

Entende-se por objeto tudo que está fora do sujeito, podendo inclusive, o objeto ser outro Sujeito, afinal para o Outro você também é o Outro, numa verdadeira “ dança de Eus”
( Soares, 2003).

A partir deste artigo e da forma específica que escrevo pretendo escolher encontrar sempre com o meu leitor, pois aprendemos via letras, encontros, cursos, imersões, palestras, colóquios, seminários e congressos o nosso fazer psicopedagógico vivencial, onde é possível nos reconhecermos no Outro, e é nesse movimento dialético, portanto, dialógico que aprendemos o lugar do Eu, do Tu (o Grande Outro) e do Nós ( a pluralidade de eus), operacionalizando nosso compromisso com o próximo de Ser e de Saber, ou ainda como sinaliza Borges em seu Paradigma Transdisciplinar da e na Educação: “ Quanto mais eu sei, eu sou! Quanto mais eu sou, eu sei!” atingindo uma psicodinâmica interna terapêutica, através da MediAção do e com o Conhecimento; tendo a oportunidade de saber quem somos para sermos melhores como pessoas e profissionais; SENDO no sentido existencialista de Heidegger, na Ciência e na Vida.

Penso, que é isso que eu conquistei com a Psicopedagogia.

O artigo científico que proponho trata do tema: Subjetividade e Objetividade: o corpo e o olhar desvelando a Trama do Ser e do Saber humano, tema esse, que foi aprovado pela comissão científica de nosso Congresso de 2006 e foi apresentado no formato Tema Livre por mim e João Beauclair.

Comecei a tecer meus fios, a priori separadamente, para que tenhamos nossa marca/ matriz preservada e assim preparados para começarmos nossos “bilros” epistêmicos, existenciais e psicopedagógicos como fazem as rendeiras tecendo suas produções no estado do Ceará.

Aqui, começam meus bilros/ fios que teço neste “bordado/ artigo”:

-A definição de Objetividade e Subjetividade segundo o Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa.
-O Paradigma Luz Borges e a Travessia da Subjetividade com a Objetividade: A Trama do Ser/ Sujeito.

-O filme Quem Somos Nós? E a necessária emergência do Eu Quântico, o Eu das Possibilidades ou ainda o Eu do Vir a Ser de Heidegger para ajudar, compreender e educar o Homem do terceiro milênio.

-O corpo e o olhar como expressão daquilo que ocorre tanto em nosso mundo interno bem como no nosso mundo externo; desde o corpo visceral ao corpo palavra, até o olhar da aparência à essência.

-A metodologia psicopedagógica que favorece a emergência da Trama do Ser/ Sujeito.

Para concluir, irei articular e integrar o tema do Congresso: Aprendizagem: tramas do Conhecimento, do Saber e da Subjetividade com o tema livre: Subjetividade e Objetividade: o corpo e o olhar desvelando trama do Ser e do Saber humano.

Segundo o dicionário brasileiro de Língua Portuguesa do Jornal O Globo, 1993 as respectivas definições de Subjetividade e Objetividade; Subjetivo e Objetivo são as seguintes:

Subjetividade – Qualidade ou caráter do que é subjetivo. Referente ao sujeito que está somente no sujeito; que se passa exclusivamente no interior do espírito do sujeito.

Objetividade – Qualidade de Objetivo. Existência Real. Objetivo que se refere ao objeto, que está no objeto, relativo ao exterior em relação ao nosso espírito; estranho à pessoa do autor, que não é subjetivo. Com essa definição de subjetividade e objetividade podemos perceber que para todos estarem e serem incluídos no mundo é condição sine qua non levar em consideração a articulação com o objetivo x subjetivo; é a natureza interna x a natureza externa na busca da trama deste ser; ou como Borges postula: o terceiro espaço. Vimos que o objetivo tem como definição “algo que se refere ao objeto”. Se na Ciências Sociais/ Humanas, aprendemos que objeto é tudo que está fora do Sujeito e sabemos que o objeto estudado pode ser também o Ser/ Sujeito; identificamos já na primeira definição denotativa a necessidade de sentirmos, pensarmos e refletirmos sobre a relação constante e dialética entre subjetividade e objetividade. O Paradigma Luz Borges retrata bem a necessidade de conhecer para saber como se dá essa articulação, pois através deste conhecimento é que poderemos juntos o “ Eu e o Outro” desvelar a Trama do Ser e do Saber humano construindo uma Psicopedagogia do Desenvolvimento e Aprendizado do Ser. A abordagem desenvolvida por Borges objetiva construir um eixo de reflexões para questionarmos nossa postura de educadores e a busca de uma prática docente ressignificada de cada Ser/ Sujeito.

Este sujeito precisa ser visto como um ser relacional que só deve ser estudado num conjunto de relações. Ele nasce indivíduo para construir-se Sujeito e é nas trocas com o meio (horizontalidade/ realidade externa/ objetividade) x a realidade interna (verticalidade/ subjetividade/ natureza interna) que irá aos poucos construindo-se Sujei

Como revela o Gráfico abaixo: O Sujeito frente ao conhecimento: uma visão transdisciplinar – Borges, 2005.

Borges em seu Paradigma sinaliza a necessidade de acionarmos uma atenção especial a fim de que, através de mais conhecimento, o ser humano possa vivenciar melhor a práxis, integrando tanto quanto possível o discurso – o sentimento e a ação, é a via do auto conhecimento retroalimentando o Ser para vir a conhecer e a saber melhor de si e do próximo; é o (re) conhecimento de sua trama, de como a teceu, articulou sua natureza interna x natureza externa, produzindo sua obra de arte, seu terceiro espaço ou ainda sua marca/ matriz única de ser existencial no e do mundo. Para atingirmos a possibilidade de desvelar a trama do Ser e do saber humano é mister que neste século emerja uma psicopedagogia vivencial amparada numa didática do desenvolvimento e aprendizado; onde os conteúdos assistemáticos (saberes do cotidiano) possam ser resgatados, garimpados e aproveitados para o processo de transição, associação e convergências com os conteúdos sistemáticos ( saberes da academia científica). É nesta relação dialética de saberes que teremos a articulação do Subjetivo com o Objetivo de quem ensina e de quem aprende; tendo como uma das ferramentas de intervenção: o corpo e o olhar.

Entendemos corpo como “aquela instância que agrega organismo com desejo” (Fernández, 1991). Este corpo está mediado, atravessado pelo princípio de Atividade – movimento interno de busca e de pesquisa que habita a morada de todo o ser; é a partir deste princípio (re)ativado que teremos a chance de resgatar o movimento natural na construção do ser e do saber que por algum motivo se perdeu ao longo dos anos. É verdade, que o segundo princípio: Criatividade é tão valioso quanto o primeiro, aliás os princípios como um todo Autoridade (no sentido de Autoria) e Liberdade (no sentido da boa relação entre prazer e dever), são outras ferramentas do resgate desse movimento supracitado. O corpo tem diversas linguagens de manifestação; o corpo objetivo por exemplo é aquele que “veste” o organismo ele pode se manifestar na dança, na mímica ou no esporte, já o corpo/ palavra/ subjetivo se expressa nas letras, na música, nas poesias, na literatura e na matemática, até ao corpo interno, subjetivado que sente, e pensa o sentimento na meditação, no estudo e na reflexão, relacionando- se com o corpo objetivado, buscando a interação, a troca, a solidariedade, gerando substância e “ Sustância” entre o Eu e o Outro.

Como o corpo, o olhar é outra ferramenta de (re) ativação para o reconhecimento e desvelamento desta Senha que nos acompanha desde o nascimento até a nossa morte. Um olhar fenomenológico que esteja compromissado a ver para além das aparências, um olhar atencioso, amoroso e cuidadoso onde o leque de hipóteses de como perceber o outro esteja amparado numa filosofia com o foco na saúde do sujeito, ou seja, naquilo que ele sabe fazer de melhor. Ter a fenomenologia como amparo significa deixar que as coisas se mostrem como elas são; para estarmos preparados a ver com esses “ óculos existenciais” é preciso captar o fenômeno e decantá-lo de forma multifacetada incluindo e levando em consideração não só a própria percepção, mas também as diversas percepções dos outros eus envolvidos, sejam elas subjetivas ou objetivas.

No filme: Quem somos nós? De Marlee Maitln, Elaine Hendrix, et all; revela que nosso cérebro não reconhece a diferença daquilo que é visto no mundo externo e daquilo que é imaginado no mundo interno; constatou-se através de exames que as áreas do cérebro que se mostram ativadas são as mesmas nas duas situações; a partir disso, cria-se condições para perguntarmos, então: “ O que é a Realidade? Aquilo que sentimos e pensamos em nosso mundo interno? Ou aquilo que vemos e pensamos em nosso mundo externo? Ou ainda a articulação das duas realidades interna e externa? Não podemos negar essas questões!

Na busca de uma metodologia psicopedagógica o Paradigma Luz Borges respeita o funcionamento/ modalidade, manifestações de PODER SER, assim estamos não só favorecendo a emergência do Eu quântico, o Eu das Possibilidades, como estamos favorecendo a este Ser um caminho com Significado e Sentido. Essas modalidades podem ser: musicais,lingüísticas, matemáticas, cinestésicas, intrapessoais, interpessoais, espaciais, entre outras como postulou Gardner. Respeitar e acolher esta veia/ canal/funcionamento, marca/matriz significa nutrir a auto confiança e a auto estima do Ser, facilitando seu caminho com suas próprias diferenças. Este trânsito se dá numa viagem que vai da sensação à conceituação, como mostra o Quadro Hierárquico do Conhecimento.

Este quadro é norteador para o Sujeito. O primeiro nível é a Sensação (nossos órgãos dos sentidos), brinde esse, que ganhamos da natureza junto com o aparato neurológico; o segundo nível é a percepção ( pensar sobre o que sentimos) logo em seguida, naturalmente buscamos ancorar na mente, uma imagem, uma figura mental, atingindo o terceiro nível – formação de imagens, a partir delas desencadeamos a simbolização – quarto nível, pois o humano se caracteriza e se diferencia por ser nascer num mundo simbólico sem saber simbolizar; o último nível e mais desejado é o da necessidade de nomearmos aquilo que simbolizamos, o quinto nível é a Conceituação. É nesse passeio/ travessia que o processo de Desenvolvimento e Aprendizado se dá, numa rede integrada de fios, onde a teia passa a ser o grande segredo de viver bem a vida!

Articulando de forma integrada podemos inferir que a objetividade que carecemos se dá na verdadeira comunhão das diversas subjetividades reunidas, onde todos aprenderemos na vivência e na ação o lugar e o valor do Nós promovendo a Unidade na Diferença, reconhecendo as tramas, do saber, do conhecimento e da subjetividade num verdadeiro Encontro D’ Eus e com DEUS.

Publicado em 12/08/2010 16:02:00

Dulce Consuelo R. Soares - Psicopedagoga Clínica/ Institucional/ Pedagoga/ Professora de Arte Educação da Unesa no RJ/ Professora de Filosofia da Esil Sociedade Educacional e Autora do Livro infantil: A Caixinha de Insetos de Pedro: uma leitura psicopedagógica da escola do aluno e do professor
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