quinta-feira, 18 de junho de 2015

O papel da família no desenvolvimento da inteligência

A FAMÍLIA E SUA INFLUÊNCIA NO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DA CRIANÇA
Erika Bataglia da Costa

Sumário

RESUMO: O presente artigo aborda algumas reflexões sobre o papel e a participação da família no desenvolvimento cognitivo da criança, bem como o envolvimento da família com a escola e seu impacto sobre a aprendizagem e o desenvolvimento da aprendizagem. Diversos educadores têm mostrado um grande interesse pelo estudo das relações entre a família e a aprendizagem devido à sua importância para a educação e o desenvolvimento da criança. Acredita-se que um ambiente familiar estável e afetivo contribui de maneira positiva para o bom desempenho da criança na escola dependendo de outros fatores que não exclusivamente os familiares. A pesquisa de caráter bibliográfico reflete, em um primeiro momento, sobre a família e aprendizagem cognitiva e, num segundo momento, um estudo mais direcionado para a influência da família na aprendizagem da criança. Procurou-se identificar as relações estabelecidas entre os sujeitos, observando as diferentes formas de percepções sobre o objeto estudado. Concluiu-se que a família deve trabalhar em conjunto com a escola para contribuir com as mudanças comportamentais que permitam às crianças o equilíbrio necessário para aprender.

Palavras-chave: Família. Aprendizagem. Desenvolvimento cognitivo. Psicopedagogia.

ABSTRACT: Thisarticlepresents some reflectionsontheneedthatthefamilyhastounderstand, implementandfulfill its role in training, participationandmonitoringofthechildandthefamily'sinvolvementwiththeschooland its impactonlearningandchilddevelopment. Severaleducatorshaveshowngreatinterest in studyingtherelationshipsbetweenthefamilyandlearningdueto its importance for educationandchilddevelopment. It isbelievedthat a stablefamilyenvironmentandemotionalcontributespositivelytotheperformanceofchildren in schooldependingonotherfactorsotherthanjustfamilymembers. At firstportrays a literatureonthefamilyandcognitivelearningand, subsequently, a more directedatthefamily'sinfluenceonchildren'slearningandpropose a qualitativemethodology, therefore, veryspecificanswersquestions, concernedwith a levelof reality thatcannotbequantified. Wesoughttoidentifytherelationshipsestablishedbetweenindividuals, notingthedifferentformsofperceptionsabouttheobjectstudied. Specialattentionisgiventofamilyinvolvementwithlearning, it wasobservedthatthefamilyconsistsoffather,motherandchildren are still regarded as theprimary social unit, thecellassembledwithothers, formtheoutline social supportsthat no onlysociety, butalsothemostdiverseinstitutions. It isthefamilyworktogetherwiththeschool in ordertocontributetothebehavioralchangesthatallowchildrenthenecessary balance

KEYWORDS:Family. Learning. Cognitivedevelopment. Psychopedagogy

1-INTRODUÇÃO
A escola tem um papel muito importante na sociedade. O seu objetivo é orientar e ensinar o processo de desenvolvimento cognitivo das crianças até a fase adulta. A escola representa um lugar em que, na maioria das vezes, pela primeira vez a criança tem a possibilidade de interação com outras pessoas além de seu grupo familiar. A família corresponde à instituição base, enquanto a escola possui uma função de apoio a educação e formação da criança como um ser social. Nesse sentido observa-se que a escola propicia a socialização da criança mas é a família que possui a função e responsabilidade principal pela educação e desenvolvimento dos filhos.
Szymanski (2001, p.90) ensina que “a escola tem um papel preponderante na contribuição do sujeito, tanto do ponto de vista de seu desenvolvimento pessoal e emocional, quanto da constituição da identidade, além de sua inscrição futura na sociedade”. Pode-se afirmar que a socialização é um processo que envolve interações entre a criança a ser socializada e o meio que a envolve. Este momento inicia-se na escola e deve prolongar-se ao longo de toda a vida.
De acordo com estudos relacionados ao comportamento, há duas necessidades principais: as fisiológicas e as psicológicas. Essas são as principais apontadas pelos cientistas como fundamentais para a criança se desenvolver bem. Se estas necessidades não forem garantidas, provavelmente os filhos sofrerão um estado permanente de insatisfação que podem levá-los a um ser adulto sem referencial e incapaz de fazer uma boa administração de sua própria vida.
A pesquisa foi gerada à partir da problemática que se pergunta pela função da família e seus impactos no desenvolvimento cognitivo das crianças, especialmente voltado para a aprendizagem.
A verificação da influência da família na aprendizagem da criança se torna essencial para o desenvolvimento educacional e social do educando. É necessário verificar até que ponto a influência da família pode determinar e assegurar uma formação adequada, bem como os princípios geradores de uma boa conduta, tendo em vista perceber o valor da interação família-escola e estimular mudanças e hábitos comportamentais na educação familiar. Sabendo-se que a educação é um processo contínuo e inacabado que se desenvolve no ambiente familiar e social, é importante fazer um estudo do contexto familiar voltando-se para como os pais percebam seu papel no processo de aprendizagem.
O trabalho estruturou-se em cinco tópicos em que foram analisados e abordados os temas: a família, os pais, a disciplina, o lar, o desenvolvimento cognitivo e o nível socioeconômico. Na conclusão buscou-se uma análise dos resultados sobre o estudo realizado e questionamentos que possibilitem novos estudos sobre o tema em questão.

2-FAMÍLIA E APRENDIZAGEM
A constituição da família é algo imprescindível e determinante para proporcionar as condições necessárias ao desenvolvimento de um ser em processo de formação e aquisição de noções básicas referentes ao caráter, personalidade e habilidades que irão determinar um indivíduo em potencial. Sendo a família a primeira das muitas células que constituem a sociedade, se esta falha no seu papel principal, automaticamente se forma um ser sem referencial, e por vezes, incapacitado de reparar os danos acarretados pela omissão familiar.
Pode-se perceber que a família representa e manifesta valores éticos e culturais que estarão intimamente ligados à educação e convivência, essenciais para uma harmoniosa interação em que as suas responsabilidades implicam numa contribuição ativa para o bem estar de todos que fazem parte do seio familiar.
Segundo Marturano (1997) o diálogo é peça fundamental no processo harmonioso de uma família. Famílias sem diálogo possuem padrões em comum: não conversam, não compartilham tristezas, alegrias, cada membro tem seu mundo individualizado. Elas ignoram comportamentos diversos e mantém uma percepção distorcida da realidade. Deixam de levar em consideração emoções, verdades, não há confiança e se isolam pelo medo de promessas não cumpridas e decepções.
Quando um lar é acometido pela falta de diálogo, os filhos ignoram a expectativa dos pais e não há interesse pelo sucesso escolar. Essas famílias são formadas por pais com as mais diversas dificuldades, como: o relacionamento conjugal, excesso de trabalho, gravidez não planejada ou a falta de prioridade no relacionamento familiar, entre outras.
Uma boa comunicação é fundamental para unir a família. Cada família é um mundo diferente, e, estabelecem linguagens únicas. Para que haja uma comunicação eficiente e verdadeira, é necessário que exista vontade, disponibilidade e interesse por parte dos pais, e que essa maneira de conviver seja vivida intensamente, na medida do possível. Conforme afirma Pileetti (1994, p. 27):

a família precisa despertar para a necessidade de manter um diálogo constante e pacífico entre seus membros. Pois é a partir desta prática que se estabelece uma convivência harmônica, e os laços afetivos se tornam firmes e fortes. A prática de diálogo desarticulada deixará a criança exposta a fatos episódicos como: dúvidas simples e comuns a cerca de fatos, introspecção, confusão mental, etc. A família não transmite apenas suporte de sobrevivência, mas também modos de ver e sentir o mundo, a realidade e o conhecimento relacionado a tudo que diz respeito à vida de um ser. Assim, há que se pensar muito seriamente em como se estruturar a família, porque seu impacto na formação dos filhos e na qualidade de vida é de grande repercussão.


Ainda, conforme Pileetti (1994, p.28), “uma família sem diálogo, sem diretriz entre seus membros e vivendo freqüentes conflitos interpessoais acarretados pela falta de administração sobre convivência, sofrerá ação negativa em sua totalidade”. Apenas palavras não conseguem expressar tudo o que se pretende transmitir. Linguagem corporal, expressão facial, tom de voz, gestos e outros meios de comunicação não verbal, são essenciais para que o objetivo do diálogo seja alcançado.
Estudiosos de padrões de comunicação como Fernandez (1990) e Jolibert (1994) concluíram que dois terços da mensagem pretendida pelas crianças são comunicados de forma não verbal e apenas um terço é comunicado pelas palavras. Nota-se, que uma boa comunicação exige bem mais do que transmitir informações, mas expressar sentimentos, promovendo harmonia.
O conceito de família, ou a compreensão do que seja esse grupo social, vem passando por mudanças ao longo do tempo, conseqüência de alterações nos padrões de comportamento, do ritmo imposto pela vida moderna, de um novo olhar sobre o papel da mulher na sociedade (SOUZA & LOCH, 2008. p. 7).
Atualmente percebemos inúmeras mudanças na estrutura familiar, e isto, de certa forma, torna o processo de aprendizado mais complexo. No que diz respeito à formação educativa, é necessário a existência de um trabalho em equipe entre famílias e escolas.
Famílias amadurecidas observam o comportamento verbal, pois sabem que a palavra emitida tanto pode construir como destruir, encorajar como desencorajar. A verdade deverá ser sempre dita em amor; é preciso evitar um discurso grosseiro e controlar as palavras iradas. Um diálogo constituído de uma comunicação clara e amorosa transmitirá com eficácia a mensagem pretendida.

3-O PAPEL DA FAMÍLIA NO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO
A responsabilidade dos pais para com os filhos é algo fundamental e perfeitamente possível de ser realizado por meio de um compromisso primordial, que é conferido ao pai e a mãe como dever, e aos filhos como direito. Os pais devem garantir os deveres e direitos das crianças a fim de assegurar o significado da paternidade.
Existem princípios claros para a criação de filhos preparados para a vida. Para a criação de cidadãos dignos e capazes de tomar decisões a partir dos seus próprios conhecimentos, concebidos por meio da educação escolar e familiar, bem como, com o trabalho e equilíbrio na área emocional, afetiva, social e outras. De acordo com Braga (2006, p.81):
? Os pais devem demonstrar o padrão de um relacionamento amoroso entre o casal através da vivência diária.
? Os pais devem conduzir os filhos por meio de disciplina amorosa e constante. Isso não significa castigar com açoites, mas educar bem para torná-los cidadãos, ensinando a viver a vida pela palavra e pelo exemplo.
? São responsabilidades dos pais prevenirem os distúrbios de aprendizagem, uma vez que os mesmos podem ser desencadeados no próprio seio familiar, e podem ter causas físicas, neurológicas, emocionais, cognitivas, socioeconômicas e outros fatores próprios do convívio familiar. É possível então, considerar a família como determinante nos resultados da aprendizagem.

A primeira escola da vida de uma pessoa é a família; é nela que as crianças aprendem a se comportar corretamente e desenvolver o respeito pelos outros. Numa estrutura familiar fraca, dificilmente a criança consegue ter êxito dentro de uma sociedade tão complexa como a que se observa nos dias de hoje. Os pais possuem papel fundamental na educação dos filhos devendo manter uma boa conduta para servirem de exemplo de vida.
Para Kenneth (1998, p. 54), “os pais são os primeiros mestres de seus filhos, e seus filhos, são seus alunos. O primeiro e mais importante livro dessa escola é o amor e o compromisso com o aprendiz e futuro homem de valor”. Percebe-se que, para a existência de uma aprendizagem eficiente, é indispensável que se estabeleça um relacionamento amoroso entre pai e mãe como lição viva e objetiva. Lição esta, que pela observação convence mais que qualquer discurso.
Como em todo processo de ensino e aprendizagem, na educação entre pais e filhos, também se faz necessário um sistema, uma metodologia, um programa de ensino, um currículo que deverá incluir principalmente respeito mútuo entre pais e filhos. Segundo Prado (1981, p.13), “a família influencia positivamente quando transmite afetividade, apoio e solidariedade e negativamente quando impõe normas através de leis, dos usos e dos costumes”.
Nesta perspectiva, um ambiente familiar protetor, acolhedor, livre de opressão e autoritarismo, o uso de uma boa comunicação, a compreensão de fatos que norteiam a vida, a geração de esperança que a ajudarão a conservar, acreditar e lutar pelos valores aprendidos, a administração das falhas, fracassos e insucessos como um aprendizado e busca de novas estratégias para o alcance de seus objetivos são alguns ensinamentos que devem ser adotados para a resolução das possíveis dificuldades e problemas que venham a surgir.
A família é a instituição base da sociedade em que vivemos, e nesta perspectiva, o lar é o lugar em que pais e filhos aprendem a arte de viver bem a vida, de como administrar pontos comuns e divergentes. Diferente de simplesmente casa ou moradia, o lar contém ingredientes facilitadores da convivência e do relacionamento de seus membros. Braga (2006, p.85) assevera que:
o verdadeiro lar oferece a capacidade de aplicar os princípios de convivência geradores da paz e harmonia. Ele é construído e edificado através do relacionamento amoroso, a comunicação e a compreensão mútua, em que crianças e adultos aprendem e desenvolvem as habilidades práticas e necessárias para uma vida feliz.

Observa-se que o papel dos pais além de ajudar, proporcionar e facilitar aos filhos a ter um bom relacionamento, é criar no seu lar um ambiente no qual cada um possa sentir-se à vontade, cuidado e seguro. Espera-se que o lar seja o melhor lugar do mundo, onde seus membros desejem estar.
Cabe aos pais a capacidade de administrar o lar. Essa administração deve ser regada de criatividade e de amor, para que o lar espelhe seu estilo pessoal, espelhe o sentimento familiar. A capacidade de administrar bem um lar é uma arte que ensina e repassa para os filhos o cuidado, o zelo, o como proceder nos relacionamentos entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos entre si.
A administração do lar, sob a perspectiva do lar ideal, não está limitada ao cuidado da casa em si, ou ao atendimento das necessidades materiais, mas abrange também a criação de um ambiente e agradável, onde a família possa crescer emocionalmente. Quando o lar é alicerçado e edificado sob o cuidado e supervisão dos pais, suas bases tornam-se fortes quando as turbulências da vida assolam seus membros. Nestes momentos, vem à tona a firmeza que foi construída ao longo de toda a vida, permitindo assim um crescimento e força para seguir em frente.
O desenvolvimento cognitivo tem seu início quando a criança nasce, e continua por toda a vida.De acordo com Pileetti (1994, p.54):

é do desenvolvimento construído ao longo desse período, que depende o aparecimento da linguagem, envolvendo ação e relação com o outro, pois o desenvolvimento da inteligência constitui-se num processo de troca entre o indivíduo e o meio que o cerca, sendo, portanto resultado da interação entre eles.

O autor vê que a contribuição da família para o desenvolvimento cognitivo da criança tem que ser bastante considerado. Havendo falhas no período de comunicação verbal, ou seja, no período próprio da aquisição; ou senesta comunicação entre os pais ou responsáveis não for dispensada a devida atenção, acriança poderá possuir um atraso, bem como outros prejuízos em seu desenvolvimento cognitivo.Em conseqüência, quando a criança atingir a idade escolar, poderão surgir, de maneira clara, os distúrbios de aprendizagem gerados pela falha de conduta no período adequado para este fim.
Quando há preocupação por parte dos pais em prevenir problemas de aprendizagem, as atitudes rotineiras são regadas de muitas conversas, por vezes já iniciadas desde a gestação, estendendo-se no nascimento e passando por todas as fases do desenvolvimento, visando sempre o estímulo como ingrediente facilitador através de ordens simples para compreensão dos fatos de rotina.

Quando os pais exploram o vocabulário da criança, verbalizando tudo o que ocorre a sua volta, bem como nomes de objetos, pessoas, animais, etc., sem fazer muito uso dos diminutivos, o resultado é de uma criança dotada de um bom vocabulário, uma boa comunicação e sem falha de comunicação verbal (FONSECA, 1999. p. 20).

Conforme Pileetti (1994, p. 55) observamos que “cabe também como agente do desenvolvimento cognitivo, levar a criança a interagir com o meio, empregar a imaginação ao agir sobre ele, e efetuar inferências, buscando alternativas na solução de problemas”.
Também é relevante que os pais consultem a criança, que sejam sensíveis aos desejos e sentimentos dela, e estimulem sua independência e autonomia, permitindo que ela possua autonomia para auxiliar na resolução de problemas, embora fiquem por perto para apoiá-la e orientá-la, se necessário.
Outra fonte enriquecedora do desenvolvimento cognitivo é a leitura, a contação de histórias e as cantigas infantis, possuem uma linguagem adequada compreensão da criança, respeitando sempre a faixa etária da mesma. Esta é uma atividade que faz parte do rol das prioridades.
É interessante que os pais elaborem um cronograma, segundo o qual poderão cumprir todas as suas responsabilidades. Serão necessários esforço, disciplina e sabedoria para propiciar a realização de todas as atividades pré-estabelecidas.

4-APRENDIZAGEM EM FAMÍLIA: UM OLHAR DA PSICOPEDAGOGIA
A sociedade evolui ao longo dos anos, esta continua evolução lhe proporciona diversas mudanças culturais, muitas destas alterações estão relacionadas ao modo de viver dos homens, bem como, comas peculiaridades de cada família.
Para o desenvolvimento da sociedade é necessário que estas instituições trabalhem em consonância, principalmente no que diz respeito a formação cognitiva do ser humano. A aprendizagem em família se dá a partir do trabalho em equipe realizado por pais e filhos, porém muitas vezes é necessário um auxílio exterior, o subsídio da escola.
A escola é a instituição criada para dar assistência à educação familiar. O aprendizado ideal é concretizado por meio do processo mútuo de interação entre famílias e escola. As famílias desejam formar cidadãos e, de acordo com Souza &Loch (2008), a escola é “um espaço privilegiado para o desenvolvimento da cidadania e autonomia, por ser um local onde a criança convive com o outro da mesma faixa etária e com quem tem relação de igual para igual”.
Desse modo, a psicopedagogia apresenta-se como uma ciência capaz de estudar o comportamento e aprendizado das crianças, tendo em vista a ampliar a qualidade do processo e desenvolvimento educativo.
A psicopedagogia atua na criação de soluções para eventuais dificuldades de aprendizagem educacional, é um papel do psicopedagogo orientar para que o processo educativo seja concretizado. De acordo com Visca (1987) a psicopedagogia nasceu como uma ocupação empírica pela necessidade de atender a crianças com dificuldades de aprendizagem, cujas causas eram estudadas pela medicina e psicologia.
O papel da psicopedagogia está em detectar dificuldades de aprendizagem e, com isto, criar novas metodologias de ensino que auxiliem na formação do aluno. A vida humana é pautada por suas relações com o mundo exterior, vimos que a base para a formação do desenvolvimento social humano está na família, mas que o conhecimento é adquirido ao longo dos anos, em um processo contínuo de aprendizagem.
A família exerce profunda influência na educação das crianças, pois, geralmente as crianças buscam se espelhar nos exemplos de seus familiares mais próximos. É a partir desta concepção psicopedagogica, percebemos a necessidade da existência de um trabalho em equipe entre instituição familiar e escola, para que um possa preencher os espaços deixados pela outra e assim, possibilitar o desenvolvimento cognitivo do educando.

5-CONCLUSÕES
Quando a família falha no seu papel primeiro de formação, automaticamente se forma uma escola com todo o corpo docente sobrecarregado, e por vezes incapacitado de reparar o dano acarretado por tal omissão familiar. Daí a necessidade de uma reflexão apurada sobre a influência da família na formação do caráter e da aprendizagem da criança.
Com base no estudo realizado, conclui-se que a ineficiente educação familiar interfere de maneira direta no processo de aprendizagem da criança, que o ambiente familiar necessita ser mais humano e a necessidade de se relacionar bem uns com os outros se torna uma forma bem interessante de se estabelecer vínculos afetivos. Percebe-se que essa participação é um grande desafio para aqueles que estão envolvidos com o processo educativo de crianças. É necessário que a escola e família sempre busquem cada vez mais uma relação de parceria com compromisso, a fim de superar as dificuldades existentes nessa relação.
Verifica-se também que o processo de construção do caráter e personalidade, além da aprendizagem podem ser permitidos ou nunca desenvolvidos pelos pais ou aqueles que convivem de maneira direta e freqüente com a criança. Para crianças que tiveram uma formação inadequada é imprescindível a atenção especial da escola, e o psicopedagogo pode ajudar neste processo de inserção ou reinvenção de valores que podem ampliar a capacidade cognitiva do aluno. O presente estudo permitiu uma visão mais abrangente da necessidade de conscientização sobre o envolvimento dos pais ou responsáveis no processo de educação e formação de seus filhos. O relacionamento familiar tem que ser encarado de maneira séria e ativa para que se torne uma constante positiva na vida de todos que fazem uma verdadeira família estruturada e equilibrada.

Bibliografia

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MARTURANO, E.M. (1997). A criança, o insucesso escolar precoce e a família: condições de resiliência e vulnerabilidade. Em E.M. Marturano, S.R. Loureiro & A.W. Zuardi (Orgs.), Estudos em Saúde Mental - 1997 (pp. 130-149). Ribeirão Preto: Comissão de Pós-Graduação em Saúde Mental da FMRP/USP.
BRAGA, Rosana. Faça o amor valer à pena. São Paulo: Gente, 2006, p.81-88.
FERNANDEZ, Alícia. A inteligência aprisionada – abordagem clinica da criança em sua família. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.
FONSECA, NeumarGianotti. A influência da família na aprendizagem da criança. 1999. Projeto de Pesquisa. Centro de especialização em fonoaudiologia clínica, São Paulo. 1999.
JOLIBERT, Joselt e colaboradores. Formando crianças leitoras. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
PILEETTI, Nelson. Psicologia educacional. São Paulo, Ática, 1994, p.12-61.
PRADO, Danda. O que é família.São Paulo: Brasiliense, 1981.
SOUZA, OraldaAdur de; LOCH, Valdeci Valentim. Relações familiares. Curitiba: Base Editora, 2008.
STERNBERG, Robert J. & Whitney, Catherrine. O relacionamento inteligente. Rio de Janeiro: Ática, 1991.
SZYMANSKI, Heloisa. A relação família/escola: desafios e perspectivas. Brasília: Plano, 2001.
VISCA, Jorge. Clinica psicopedagógica: epistemologia convergente. Porto \Alegre: Artes Médicas, 1987.
Publicado em 02/06/2015 15:20:00

Nenhum comentário:

Postar um comentário

A difícil arte de amar

"A Difícil Arte de Amar" A Limitação do Conhecimento entre o Homem e a Mulher Uma Interpretação da Psicologia Simbólica Jungui...